O estado do País (2)
Desde sempre que em Portugal o Estado tem um poder excessivo sobe a sociedade e, em geral, os portugueses são excessivamente dependentes do poder político ainda que resmungando e mal dizendo.
Também desde sempre que o Estado se serve a si e aos seus antes de servir os portugueses e após o 25 de Abril a situação, neste contexto, não melhorou, bem pelo contrário. A razão é que os partidos políticos assumiram o Estado por sua conta e passaram a servir-se a si e as máquinas partidárias na mesa das mordomias do Estado.
O partido Socialista foi o grande obreiro da criação e do aproveitamento do modelo eleitoral existente, destinado a controlar os benefícios do Estado, mas os outros partidos não deixaram de aproveitar a mesada e impedem desde sempre a alteração do sistema eleitoral, que é onde reside o centro do poder partidário.
Razão dos partidos usarem a tese do regime de Salazar sobre os portugueses não terem a formação e a capacidade necessárias para fazer essa escolha.
Antes do 25 de Abril, o ideal democrático passava pela existência de partidos políticos, o que foi aproveitado pelos partidos nascentes depois do 25 de Abril para controlar o poder político em seu benefício, através de uma lei que lhes permite escolher os deputados e os autarcas, poder que democraticamente deveria pertencer aos cidadãos eleitores, os quais podem escolher apenas o partido da sua preferência.
Modelo eleitoral que está na origem do crescente atraso económico e social de Portugal relativamente aos outros países da União Europeia do nosso campeonato, onde a escolha é feita pelos eleitores na mesa de voto, por exemplo, através de círculos uninominais.
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