
Confiança e segurança com as equipas de cuidados paliativos
A palavra paliativos tem “agarrada” a si uma conotação negativa. Muito associada no seio da sociedade ao cancro e ao fim... Porém, e na verdade, não é necessariamente assim, com as equipas que se dedicam a esses cuidados a falarem sempre em vida!
De facto é disso que se trata, de contribuir para uma maior qualidade de vida, sendo os cuidados paliativos um direito do cidadão com patologia «crónica, incurável, em fase progressiva» que deve ser referenciado pelas equipas assistentes «o mais precocemente possível» para que «em conjunto e em parceria» com as diversas especialidades, se atente «às necessidades» do doente, «potenciando a vida que ainda tem para viver», explicou Sara Cunha, enfermeira dos Cuidados Paliativos da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, à margem da iniciativa que decorreu ontem no Alma Shopping, a propósito do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, que se assinala todos os anos no segundo sábado de outubro.
Promovida pela Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra, em parceria com a ULS de Coimbra e com o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra, esta ação visou sensibilizar a comunidade para a acessibilidade aos cuidados paliativos e a sua importância para a saúde pública, com as equipas da ULS e do IPO a apresentarem o trabalho que desenvolvem, com testemunhos de familiares e de utentes destes cuidados. “Confiança”, “segurança” e “tranquilidade” foram as palavras que mais se ouviram para traduzir a importância que estes “anjos sem asas” têm nas suas vidas.

Em caso de dúvida ou de aflição, sabem sempre a quem recorrer. «Todas as pessoas são simpáticas e sei que me atendem sempre o telefone quando preciso», garantiu Adérito de 59 anos, que reside a 50 quilómetros de Coimbra, e que é acompanhado pelos cuidados paliativos há três anos. «Estão sempre do outro lado da linha para tudo e para nada», complementa, emocionada, a sua esposa (e cuidadora) Maria Helena. Ontem, Adérito sentiu que tinha de ser ele a retribuir o quanto estes profissionais lhe dão ao prestar o seu testemunho. Para a D. Rosa, de 78 anos, que se apresenta como uma pessoa muito sociável e (ainda) ativa, esta equipa «é a sua família», garantindo que com ela, depois da morte do marido (que também foi acompanhado por estes profissionais) aprendeu a caminhar, como diz, «para o resto que me falta». A viver sozinha, e com a visita diária em casa de um grupo de voluntários, sabe, tal como Adérito, que o conforto e a ajuda estão sempre «à distância de um telefonema».
Também Sílvia Neves, de Tábua, cuidadora do pai de 89 anos e a quem são prestados cuidados paliativos há dois anos, ressalva o grande humanismo destas equipas, com «tudo feito com tanto carinho e amor que acaba por ser meia cura». Não só o pai mas também ela sente no dia a dia o conforto, a segurança e o apoio que lhe dá forças em momentos de maior desespero. «Se não fossem eles, o meu já não estaria cá», reconhece.
O que são cuidados paliativos?
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, «os cuidados paliativos são uma parte crucial dos serviços de saúde integrados e centrados nas pessoas. Aliviar o sofrimento, seja ele físico, psicológico, social ou espiritual, é uma responsabilidade ética global», sendo elegíveis para este tipo de cuidados várias causas de sofrimento», pelo que «podem ser necessários e têm de estar disponíveis em todos os níveis de cuidados». Ontem, no âmbito da sessão, foram deixadas muitas mensagens e desenhos que atestavam a sua importância, sendo transversal o sentimento de gratidão.












