
Gliding Barnacles começa hoje na Praia do Cabedelo
Tal como os crustáceos marinhos vivem agarrados aos cascos dos barcos, também os surfistas passam muito tempo dentro de água agarrados às suas pranchas. Foi para celebrar o amor ao surf que surgiu em 2014 a primeira edição do Gliding Barnacles, festival sem fins lucrativos que ao longo dos anos conseguiu afirmar esta prática desportiva - o longboard clássico, em particular - como uma forma de expressão artística. A Praia do Cabedelo, na freguesia de S. Pedro, Figueira da Foz, tem sido assim o ponto de encontro onde, anualmente, milhares de portugueses e estrangeiros se reúnem para festejar a cultura do oceano dentro e fora de água, através da arte, da música e da gastronomia.
«Isto nunca foi só sobre surf. Foi sobre partilha, sobre comunidade e sobre amor», afirma Eurico Gonçalves, mentor do evento, em declarações ao Diário de Coimbra. O antigo campeão nacional de longboard faz um «balanço positivo» do Gliding Barnacles, justificando que «foi sempre um crescendo de 2014 até hoje». O que começou com cinco convidados internacionais, este ano conta com 450 convidados entre surfistas, artistas e músicos. E se em 2024 o evento recebeu 35.000 visitantes ao longo dos cinco dias, a expectativa para este ano é igualar ou até superar.
A 12.ª edição do Gliding Barnacles começa hoje e decorre até ao próximo domingo.
São cinco dias do festival que tem o propósito de unir as pessoas de forma significativa e criativa. Para além das sessões de surf expression, que são exclusivas para convidados, junto ao areal haverá workshops para crianças e adultos, tatuagens ao vivo, cortes de cabelo, concertos em formato intimista e mercados de artigos e de comida. O evento é adequado a todas as idades, sejam ou não surfistas.
«Este ano temos um grande enfoco na gastronomia e quisemos melhorar. Vamos ter 12 chefes e a curadoria da nossa gastronomia é do Paulo Amado. Entretanto, vamos outra vez ter as provas de vinho do Simplesmente Vinho», sublinha Eurico Gonçalves. «Vamos também ter 16 projetos de restauração da região aqui presentes, pois este evento é sobre comunidade e a ideia é envolver todos. É para ser um evento de todos para todos», refere, por sua vez, Beatriz Fonseca, que integra a estrutura do Gliding Barnacles.
De referir que outra das novidades deste ano prende-se com a presença de um novo palco, instalado junto ao edifício da organização (situado no lado oposto do areal), com capacidade para acolher 4.000 pessoas. Já em relação às residências artísticas manter-se-á nos mesmos moldes. «Os artistas vão pintar paredes e murais, criando em tempo real para o público puder assistir e fazer parte do processo criativo e, desta forma, criarmos uma memória coletiva», evidencia Beatriz Fonseca, dando conta que no sábado à noite será feita a apresentação destes trabalhos.
Por fim, importa referir que os sofás continuam a ser a imagem de marca do Gliding Barnacles. «Começámos com um sofá na praia em 2014 e neste momento temos centenas. Penso que são mais de 200. A ideia sempre foi que as pessoas se sentissem em casa. E não há imagem mais representativa de casa do que um sofá. Por isso, queremos que as pessoas se sentem connosco a ver as ondas e a partilhar um copo de vinho. Queremos que fiquem e que se sintam em casa», remata a organização.










