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Romaria de S. Tomé arranca amanhã cumprindo tradições seculares

Considerada uma das romarias mais antigas da região Centro, com origens que remontam ao século XIII, festa une devoção religiosa a quatro dias de forte animação popular

A freguesia de Ferreira-a-Nova, no concelho da Figueira da Foz, acolhe a partir de amanhã a grande romaria de S. Tomé, que decorrerá até domingo em toda a zona envolvente da Igreja Matriz. Considerada uma das celebrações mais antigas da região Centro, com origens que remontam ao século XIII, a festa une a devoção religiosa a quatro dias de forte animação popular, com entrada livre.

«Embora o dia litúrgico de São Tomé seja a 3 de julho, é a 25 de julho que se celebra tradicionalmente a romaria em honra do santo em Ferreira», explica Ricardo Batata, representante da comissão organizadora das festividades, acrescentando que apesar de S. Tomé não ser o padroeiro de Ferreira-a-Nova, pois essa honra pertence a Santa Eulália, é considerado o padroeiro do Baixo Mondego. Por isso, sublinha, que «a sua devoção estende-se por toda a região Centro e a romaria atrai anualmente milhares de romeiros vindos de diversos pontos do país».

De realçar que, para além das habituais celebrações religiosas, com especial foco para as missas solenes, esta festa secular mantém viva as tradições equestres, as famosas cavalhadas e a tradicional Feira do Ano, transformando-se num momento ímpar de reencontro de gerações. «Ao longo dos quatro dias da romaria, vivem--se momentos únicos e genuínos. A chegada dos grupos de romeiros, cada qual com a sua identidade própria, e das cavalhadas vindas de outras freguesias, sublinham o carácter inclusivo e regional da celebração. Esta não é apenas uma romaria de Ferreira-a-Nova, é de todos os romeiros», salienta Ricardo Batata.
Refira-se que a romaria de S. Tomé tem assim o seu ponto alto no próximo sábado, o dia de homenagem ao santo, com a celebração de uma missa solene em seu louvor pelas 15h30 e a bênção do gado pelas 18h00, sem esquecer a já tradicional garraiada noturna pela 01h30. Não obstante, o programa oficial combina a herança cultural com grandes nomes do panorama musical português. Do vasto cartaz, destacam-se no dia de S. Tomé as atuações dos artistas Nel Monteiro, a partir das 18h00, e de Ágata, quando soarem as 12 badaladas. Entretanto, amanhã à noite a animação está a cargo do grupo Siga a Farra, enquanto a “noitada” de sexta-feira conta com um espetáculo do cantor Jorge Guerreiro.

Como as entradas são gratuitas, a comissão organizadora evidencia que as receitas provêm de patrocinadores, peditórios e uma percentagem atribuída pelo Município da Figueira da Foz, pelo que «o apoio de todos é fundamental» para se dar continuidade à secular romaria de S. Tomé. «Manter viva esta tradição tem sido um esforço conjunto de um grupo organizador cada vez mais alargado, composto por pessoas de todas as idades. Apesar das dificuldades, continuamos a trabalhar com dedicação por uma causa comum», frisa Ricardo Batata.

Fé move comunidade que agradece milagres e graças alcançadas

Desde o século XVII, a população local, fortemente ligada à agricultura e à criação de gado, recorria à intercessão de S. Tomé sempre que os seus animais adoeciam. Em troca da cura ou da proteção dos rebanhos, os lavradores faziam promessas. Como forma de pagamento e demonstração de profunda gratidão, ainda hoje é tradição os devotos levarem os seus cavalos e, mais recentemente, tratores, enfeitados com as melhores colchas e adornos, até à Igreja Matriz para receberem a bênção.

Hoje em dia, a par do gado, os fiéis continuam a depositar no templo réplicas de cera de diferentes partes do corpo humano, simbolizando também a cura de males físicos e doenças, resultado das preces ouvidas.
«A tradição de pagar promessas é fortemente vivida nestes dias. Os fiéis oferecem figuras em cera, muitas vezes representando animais ou crianças, depositando-as no altar em sinal de gratidão ou súplica. A fama de São Tomé “dar fala” às crianças é grande, daí a expressão popular:
“São Tomézinho, dá fala ao meu menino”, dita ao colocar o chapéu do santo na cabeça dos mais pequenos», explica Ricardo Batata, da comissão organizadora das festividades, sobre esta profunda tradição de fé e devoção bastante enraizada na comunidade local.

Romaria S Tomé
Julho 22, 2026 . 13:25

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