
Dia histórico para novos moradores da Quinta das Bicas
As pernas de Fânia Monteiro tremiam, denunciado o nervosismo que lhe ia na alma, enquanto esperava ouvir o seu nome para receber as chaves da sua nova casa. Um momento de emoção, vivido ontem ao final da manhã na Urbanização Quinta das Bicas, onde 37 das 56 famílias contempladas na primeira fase deste projeto de habitação acessível assinaram os respetivos contratos de arrendamento. «Um dia que ficará na história de Coimbra», afirmou Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra.
Para o casal, Fânia e José Monteiro, foi efetivamente um dia histórico. “Pediram” casa à Câmara «talvez há uns 15 anos» e receberam ontem as chaves, que Fânia segurava junto ao coração, sem conseguir suster as lágrimas. Está desempregada e o marido trabalha no Mercado Abastecedor. Residiam em Lordemão, onde cresceram os filhos, hoje já com «a sua vida», e visivelmente felizes preparam-se para uma nova fase de vida a dois.
Fânia e José foram uma das 37 famílias que compareceram na cerimónia, presidida pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, de entrega das chaves às 56 famílias que se vão instalar na Quinta das Bicas, onde estão em construção 268 fogos a custos controlados.
Uma casa é uma âncora essencial para qualquer projeto de vida, salientou a presidente da câmara
Carla Afonso é outra das titulares de uma nova casa. Natural de São Tomé, está há 26 anos em Coimbra, onde as duas filhas cresceram. Trabalha em limpezas e residia na Rua da Sofia. Com a filha mais nova vai iniciar um novo ciclo.
«Felicidade» e «gratidão» são as expressões que melhor definem os sentimentos de Ângela Pereira, que viu a sua nova casa invadida por uma multidão. No rés-do-chão do Bloco 26, o seu apartamento foi o primeiro a ser visitado e para Ângela é «uma bênção». Residia perto, na Espadaneira, mas «a casa não tinha condições», conta, enumerando as dificuldades de acessibilidade para a mãe, de 93 anos, de quem cuida, sem falar nos problemas de humidade. Esperou longos anos por uma casa e ficou feliz e agradecida. «Sobretudo para a minha mãe é uma mais-valia. Isto é saúde!», disse, apontando os aposentos cheios de luz e a varanda soalheira.
«Este é um dia que muda vidas, um dia que devolve esperança, um dia profundamente humano», disse Ana Abrunhosa. «Um dia que prova que quando o Estado, o município e a comunidade trabalham juntos, conseguimos transformar o que parecia distante em realidade concreta», adiantou. 56 famílias «passam hoje a ter uma casa, uma casa segura», essencial para terem «estabilidade» e a «dignidade» que merecem, acrescentou, lembrando que no próximo mês mais 72 famílias vão receber a sua casa. Felicitando os novos residentes, Ana Abrunhosa desejou que a sua nova casa seja «um ponto de partida para novos projetos, novas conquistas e novas memórias».
PRR está a cumprir a sua missão
A nova urbanização, desenvolvida no âmbito do Programa 1.º Direito, «não seria possível sem o apoio do PRR», disse a presidente, que apontou um investimento que ultrapassa os 36 milhões de euros, que permitirá a construção de 267 habitações, T1 a T4, a custos controlados. «Este empreendimento é uma demonstração concreta de como o PRR está a cumprir a sua missão de dar respostas concretas às pessoas que mais precisam», afirmou, agradecendo a garantia do Governo de financiamento a 100%. Uma palavra de «reconhecimento» ao anterior executivo, particularmente à vereadora Ana Bastos, que deu início ao processo. «A política pública é sempre uma construção contínua, que não começa nem acaba com um mandato», assumiu. Uma «lição de humildade democrática» que Miguel Pinto Luz elogiou. «Só assim construímos», disse, lembrando que também ele herdou o PRR em fase de execução.










