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Reitor lança FRA pelos 329 novos enfermeiros

Paço das Escolas recebeu ontem ao final da tarde, pela primeira vez, uma cerimónia solene de formatura. Uma “inovação” da ESEUC que “contagiou” Amílcar Falcão. Veja o vídeo

O Paço de Escolas vestiu-se de festa encheu-se de estudantes com traje académico e de famílias que fizeram questão de assistir à cerimónia de formatura. A primeira realizada naquele espaço, símbolo maior da Universidade de Coimbra, protagonizado pela Escola Superior de Enfermagem, que celebrou, ontem ao fim da tardem, o final do percurso académico dos novos 329 licenciados. Os primeiros integrados na Universidade.

Uma estreia amplamente sublinhada por Maria da Conceição Bento, diretora da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), pelo presidente da Associação Académica e pela presidente da Comissão de Finalistas. Todavia, foi o reitor que reforçou essa «inovação», dando nota que foi a primeira vez que o Paço das Escolas assistiu a uma cerimónia desta natureza. E se a ESEUC trouxe «inovação» à Universidade, esse espírito inovador “contagiou” Amílcar Falcão que, depois de breves palavras de circunstância, quebrou o protocolo e “inovou”.

Começou por pedir aos finalistas para se levantarem e, com novos diplomados de pé, desafiou-os a «testar esse espírito académico». “E para os finalistas da ESEUC não vai nada, nada, nada? Mas não vai mesmo nada, nada, nada, nada”, reforçou, com um emocionante RFA que empolgou estudantes e emocionou a multidão que ocupava a enorme praça. Afinado, com a voz forte que se exige a quem “manda” um RFA, o reitor continuou, “com toda a cagança, com toda a pujança e espírito académico”, com os 329 enfermeiros a responderam em uníssono, agitando as capas, num momento singular.

 

"Hoje, sois vós que vos inscreveis nessa história, para lhe acrescentar um novo capítulo"

Antes, Maria da Conceição Bento, diretora da ESEUC, lembrou o «momento de grande significado» para os novos diplomados, que chegam ao fim de um percurso de quatro anos, de «intenso trabalho», «de estudo, de aprendizagem, de descoberta e de crescimento», mas sobretudo de «transformação». Um momento singular que reuniu toda a comunidade académica da ESEUC no «coração simbólico da Universidade», um espaço de história e de memória. «Hoje, sois vós que vos inscreveis nessa história, para lhe acrescentar um novo capítulo», afirmou, lembrando a estreia das cerimónias de finalistas e o facto de ser a primeira vez que «a Universidade de Coimbra entrega à sociedade uma geração de enfermeiros e enfermeiras diplomados com o seu nome». «O vosso percurso ficará ligado a um momento singular da história destas duas instituições», reforçou, uma vez que os novos diplomados entraram em 2022 na Escola Superior de Enfermagem e ontem receberem o diploma com a chancela da Universidade.

A conclusão deste ciclo, com a necessária «preparação científica, técnica, ética e humana», representa o início de «uma nova etapa», disse a diretora, que sublinhou os desafios decorrentes da «extraordinária aceleração científica e tecnológica» que «alteram profundamente os sistemas de saúde», a que se juntam as questões demográficas, as migrações, as desigualdades e as novas vulnerabilidades que «desfiam diariamente a organização dos cuidados». «Um mundo que exigirá de vós competência científica, pensamento crítico, capacidade de decisão, trabalho em equipa, responsabilidade ética e disponibilidade permanente para aprender», disse, ciente que a Escola garantiu a preparação científica e técnica, mas também a «capacidade de compreender a singularidade de cada pessoa» e de o fazer em total respeito pela «dignidade da pessoa humana»

Novos Enfermeiros Fig 106

“Faltam mais de 14 mil enfermeiros no país”

«Faltam cerca de 5,8 milhões de enfermeiros em todo o mundo e mais de 14 mil no nosso país». O alerta veio de Tiago Saldanha, presidente da Associação de Estudantes da ESEUC, num quadro da «realidade que começa agora». Uma realidade que continua a apresentar «um quadro legal obsoleto», com um diploma «com mais de 40 anos», que «teima em manter a nossa profissão enquadrada no Politécnico», disse, crítico, enaltecendo a interação na Universidade como «uma exigência de coerência e de justiça».

Uma escola com um «legado» e «responsabilidade» únicos, que tem enfermeiros «nos quatro cantos do mundo», elogiou, deixando um agradecimento aos professores, funcionários e técnicos que os ajudaram nesta aprendizagem de quatro anos. Uma palavra especial para os trabalhadores estudantes que «aprenderam a multiplicar as suas horas do dia», que «despiam uma farda para vestir outra», dando «uma lição diária de coragem e resiliência». Hoje, terminado este caminho, «já não somos as pessoas assustadas de 2022. Estamos transformados, somos mais maduros, mais técnicos, mais exigentes e sobretudo mais humanos», afirmou Tiago Saldanha, para quem os 329 novos enfermeiros «estão prontos para cuidar do mundo».

«Não duvidemos nunca que somos os melhores enfermeiros», disse por seu lado Ana Bárbara Miranda, presidente da Comissão de Finalistas, que destacou a «humanidade» como elemento diferenciador do trabalho do enfermeiro. «Cuidar é, acima de tudo, um ato de humanidade», disse, depois de agradecer às famílias, aos professores, funcionários e profissionais que os orientaram nos estágios e à cidade que deixa saudade.

Julho 21, 2026 . 10:10

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