
Bombos e bandeiras argentinas sem ritmo para a festa dos “hermanos” [Fotogaleria]
Pelo mundo ecoaram vozes de fãs do planeta inteiro durante mais de mês e meio. Um Mundial diferente. O maior de sempre. Não faltaram emoções, grandes golos, fintas, surpresas, revelação, o normal e o habitual nesta palco que é o maior de todos no desporto global. E só sobraram duas nações em disputa. Espanhóis de um lado. Argentinos do outro. A mesma língua. Alguma cultura parecida de quente sangue: o tal ser latino. Na fanzone do Mercado D. Pedro V sentiram-se ecos de todo o globo naquele que é o grande duelo dos gigantes.
Vermelho. Amarelo. Branco. Azul. Camisolas, cachecóis, caras até, pintadas da cor dos corações de cada um. Da cor das nações de cada um. Foram, a conta-gotas, fazendo a “casa” como já tinham feito noutras ocasiões já sem os “maiores fregueses” Portugal, Brasil e Cabo Verde, que foram montando as suas fanzones em vários pontos da cidade, do distrito, de Portugal e, claro, do mundo. Mais. Não. Muito mais argentinos. Juan, o homem do bombo, perspetiva um golo de Messi, uma vitória por 2-1 e um descreveu o ambiente como se estivesse «em casa». «Fomos crescendo e juntando mais gente ao grupo. Agora somos muitos», acrescentou o adepto. Por outro lado, Josep, da “armada espanhola”, esperava um 3-0 com golos de Yamal, Porro e Oyarzabal. «Vamos à vitória. Estamos cá de férias e vimos que era aqui que podíamos vir buscar a segunda estrela».
No intervalo, que bem ao estilo das Terras de Tio Sam, foi espalhafatoso e ficou, também ele, na história por ter tido 30 minutos ao invés dos 15 minutos. Coisas, talvez, do “soccer” à americana. A Espanha contava, já nesta altura, com um apoio extra: o brasileiro. «Estou ansiosa por um golo da Espanha. Espero que ganhe», disse Carla. Paola concordou: «Não queremos que cheguem às nossas cinco estrelas do Brasil».
O jogo seguiu. Expulsão na Argentina. Espanha a dominar e “nuestros hermanos” a aguardarem o golo. Mas não apareceu. Veio o prolongamento. Os golos não aparecerem. Mas no segundo tempo, a festa espanhola, que parecia guardada pelo domínio evidente em campo, fez-se mesmo sentir.
Porém, nada estava resolvido. Ainda houve nervos e apoios sem fim até ao final por parte de todos. No final, uns celebraram, os espanhóis. Outros choraram, os argentinos. Uns saltaram. Outros estanques ficaram. Incrédulos do que se havia passado na tela do mundo ali plantada. Josep, que tinha partilhado emoções antes do jogo, estava «muito nervoso» antes do apito final. Mas, depois, vieram outras palavras: «Estou muito contente. Nunca mais esquecerei que celebrei este título em Coimbra. Este local irá ficar para sempre gravado na minha memória», partilhou.
«Foi uma final incrível. Não esperava tantos argentinos aqui em Portugal mas acabou por saber melhor assim», acrescentou Izma. Por ali, abraçados aos espanhóis, andavam brasileiros, um marroquino, pelo menos, e, bem, até chineses. Tudo um pouco. Talvez parte do mundo estivesse ali a aguardar pelo título de Espanha. O segundo. O “bi” da “armada espanhola”. Sara apontou, até, a outro título: «Agora vamos vencer com a seleção feminina no Mundial que vai ser no Brasil. Foi uma grande alegria aquela que tivemos aqui em Coimbra. Não fomos muitos, mas fizemos a festa», resumiu.










