
“Folk Cantanhede” transforma diferenças culturais em diálogo vivo
O Folk Cantanhede – Semana Internacional de Folclore encerrou uma edição marcada pela lotação robusta, diversidade artística e forte envolvimento comunitário. Entre 4 e 12 de julho, o festival reuniu delegações de nove países em atuações que percorreram todas as freguesias do concelho e voltaram a ultrapassar fronteiras municipais, somando cerca de 50 mil espectadores ao longo de cerca de três dezenas de espetáculos, meta que o festival tem vindo a atingir graças à combinação de acesso alargado, circuitos itinerantes e cooperação intermunicipal.
O balanço, por isso, «é extremamente positivo», assume Paulo Marques. «Após um impasse inicial, que nos obrigou a alterar toda a logística, durante uma noite, de Cantanhede para Febres, tudo correu dentro da normalidade», adiantou o presidente da Comissão Executiva.
Embora o Folk esteja já afirmado, para 2027 vão existir novidades. «Somos uma equipa que procura fazer sempre diferente e para a 20.ª edição já decidimos mexer estruturalmente no festival. Existem já várias ideias que iremos começar a trabalhá-las», anunciou. O responsável, todavia, deixou uma palavra de apreço aos cerca de «70 fantásticos voluntários» que ajudaram a “colocar de pé” este evento.

Entre vários tipos de interpretações, o Folk Cantanhede 2026 cumpriu o essencial, ou seja, transformar diferenças em diálogo vivo. Numa semana de cor, música e encontros, o concelho voltou a ser palco e casa para tradições do mundo — e a confirmar, diante de plateias cheias, que a identidade se partilha melhor quando é dançada.
«Os grupos mostraram qualidade e, acima de tudo, responsabilidade», destacou, tendo, inclusivamente, «atendido à necessidade de trabalhar mais para garantir o número de espetáculos programados pela “desistência” de dois grupos (Quénia e Indonésia), devido a problemas com vistos», explicou Paulo Marques.
O Folk consolidou o estatuto de referência no Centro de Portugal, combinando dança e música tradicional, oficinas, gastronomia e mostras temáticas. Em palco, desfilaram ritmos e trajes da Argentina, Bélgica, Bolívia, Equador, Espanha, Índia, México, Quirguistão, a par de formações portuguesas, num mosaico que privilegiou autenticidade e intercâmbio cultural.
A programação descentralizada levou o festival às freguesias, com palcos cheios e convivência direta entre artistas e público.

O “Espaço Folk” e iniciativas paralelas, como exposições e conferências, funcionaram como ponto de encontro entre gerações, valorizando contextos e histórias por detrás das danças.
Segundo a Comissão Executiva, o festival reafirmou os «valores de paz, tolerância e respeito pela diversidade cultural», linhas mestras que têm norteado o evento desde 2006 e que este ano ganharam «expressão renovada na participação plural e na adesão do público».
O número acumulado de grupos e países que já passaram por Cantanhede — 141 formações de 71 nações desde a fundação — foi sublinhado pela organização como indicador da projeção internacional do certame.|










