
FestiMaiorca: meio século a unir o mundo através da dança
O FestiMaiorca - Festival Internacional de Folclore está de regresso à Figueira da Foz, de hoje ao dia 23 deste mês, assinalando as suas bodas de ouro. Sob o lema “a dança que nos une”, o certame volta a ser palco para representações folclóricas de sete nações e regiões distintas: Argentina, Arménia, Espanha, México, Paraguai, Sérvia e Portugal. Entre os ranchos folclóricos e etnográficos portugueses estarão grupos de Cantanhede, Cernache e Guimarães, bem como o anfitrião Rancho da Casa do Povo de Maiorca. No total, serão cerca de 300 as pessoas que vão encher as ruas de cor, música, tradição e diversidade cultural.
«Nesta altura de conflitos geopolíticos, a dança ainda é o que temos e é o que nos une», afirma Luís Gonçalves, da direção da Casa do Povo de Maiorca, em declarações ao Diário de Coimbra. A organização faz, por isso, um balanço positivo do evento que celebra este ano 50 anos de história, amizade e partilha cultural, provando a vitalidade do projeto mesmo face a adversidades estruturais. Isto porque, a inflação nos custos de logística, transportes e acolhimento exige um esforço enorme e voluntário por parte da Casa do Povo de Maiorca para garantir que o festival mantém a sua grandiosidade e nível de qualidade.

«Os apoios vão sendo cada vez menos, mas vale-nos a ajuda da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia [Maiorca] para continuarmos. Alcançar a marca de meio século de existência é um marco histórico para o festival, que se consolidou como uma das maiores montras de etnografia e folclore internacional em Portugal», sublinha Luís Gonçalves, destacando o sentimento de dever cumprido.
Por outro lado, a organização aponta como um dos maiores desafios o aumento das complexidades burocráticas no processo de trâmites legais e vistos para os grupos estrangeiros participantes. «Temos três grupos estrangeiros convidados que tiveram que desistir por causa dos vistos, porque não conseguem uma resposta das embaixadas em tempo útil. Foi o caso da Bolívia e do Quénia. Entretanto, a Indonésia ainda está a avaliar se consegue vir, porque com a demora dos vistos acabaram por perder a reserva do voo», explica Luís Gonçalves ao nosso jornal.
No entanto, o FestiMaiorca demonstra que, apesar dos constrangimentos logísticos e financeiros, o amor pelas tradições e pela dança continua a quebrar fronteiras, unindo povos na costa portuguesa. Ao longo do seu percurso, o certame já acolheu comitivas de mais de 40 nacionalidades, afirmando-se como um polo dinamizador do turismo e da economia local na época estival, garantindo a presença de grupos folclóricos de relevo mundial que trazem cor, música tradicional e rituais ancestrais dos quatro cantos do planeta.
Espetáculo sénior alterado para S. Pedro
A 50.ª edição do Festival Internacional de Folclore tem início hoje, com todos os espetáculos de entrada gratuita a começarem pontualmente às 22h00. O certame fará a sua tradicional digressão pelo concelho, passando por três locais distintos: Praça Dr. Fernando Traqueia, em Buarcos (hoje); Terreiro do Paço, em Maiorca (dia 18); Coreto do Jardim Municipal, em São Julião (de 19 a 23). Entretanto, refira-se que o espetáculo destinado ao público sénior foi alterado para a freguesia de S. Pedro. Assim, em vez de se realizar no Jardim Municipal como tem sido habitual em edições anteriores, este ano terá lugar no Largo Pintor Cunha Rocha na próxima sexta-feira, a partir das 15h00. De acordo com a organização, em causa está a previsão de grande afluência de público ao centro urbano da Figueira da Foz, durante o fim de semana, devido à realização dos concertos internacionais de Sting e de Lewis Capaldi.









