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Sonhos ganham vida em palco com trabalho entre Teatrão e Instituições

O mais recente trabalho da iniciativa social do Teatrão já está em exibição pelo palco da OMT. Em comunhão com diversas instituições sociais, estão previstas apresentações até amanhã, sempre com grande emoção e união

O Teatrão encontra-se em momento de celebração. São já 10 anos do seu projeto social “Teatro e Memória”, onde os artistas se unem a várias IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) para dar uma nova “energia” à população mais envelhecida através da criação artística.

«São 10 sessões especiais que fazemos na preparação para estes espetáculos», revelou Margarida Sousa, que admite que «o trabalho que realizamos não passa todo para o palco», porque é «todo um processo» que começa no “primeiro encontro” e termina em palco.

Neste 9.º ciclo é possível conhecer um trabalho que circula os «sonhos, tanto recorrentes como de criança, e até mesmo os pesadelos», destaca a artista, todos reunidos através de um trabalho de pesquisa e de vários jogos que «abrem caminho para a brincadeira e descontração», que ajuda na construção de uma narrativa e de uma maior ligação entre utentes e equipa do Teatrão.

Em conversa com Lurdes Marques, uma das responsáveis do Centro Social S. Pedro Cáritas, que também irá atuar na Oficina Municipal do Teatro, foi possível entender a importância desta iniciativa, que se interliga com os objetivos pré-estabelecidos pelo próprio centro. «[O Teatro e Memória] é uma promoção do envelhecimento ativo. Toda a metodologia e dinâmicas que são trabalhadas durante o dia a dia faz com que se desenvolva uma relação de cumplicidade e de amizade», situações que tornam a ida do Teatrão ao centro uma «visita emocionante» e, sobretudo, «importante».

Dentro destes projetos Lurdes Marques destaca ainda um pormenor que, por vezes, é subvalorizado. «Eles são uma enciclopédia. São muito importantes. Só quem não trabalha com eles é que não dá valor à [sua] experiência».

Aprendizagens e superações

«Desde o primeiro dia em que nós, professores, percebemos que somos apenas gatilhos», revelou David Meco, um dos artistas do Teatrão que acompanhou os utentes neste processo. «É ótimo ver o que é diferente ou igual entre diferentes centros sociais. No meu caso, parti sempre deles [no processo]. Tentámos desconstruir a mentalidade de que “eles estão ali e nós somos uma rede de segurança”, não», indicou, explicando que o que aconteceu foi uma construção com todos «em pé de igualdade».

Desta vez sem ter sido um professor ativo na criação dentro dos centros, João Santos, também ator e ex-professor do Teatro e Memória, elencou a «partilha» e a «amizade» que se vai construindo ao logo do processo criativo com uma sensação de «grande expectativa» que é sempre encontrada em cada local que visitam.

Refletindo um pouco sobre os 10 anos de projeto, João Santos abordou a forma como são recebidos pelos seniores em cada local. «Somos sempre muito bem recebidos, com grande entusiasmo e acho que isso é logo um ponto que nos faz refletir na forma como, como sociedade, nos devemos relacionar uns com os outros».

O próximo ciclo de Teatro e Memória começa a ser elaborado em setembro, com atuações previstas para novembro, mas ainda sem datas oficiais.

Julho 15, 2026 . 08:20

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