
Líderes do gang de imigração ilegal em prisão preventiva
As duas mulheres detidas pela Polícia Judiciária (PJ) na semana passada pelo crime de auxílio à imigração ilegal foram ontem encaminhadas para a Prisão de Santa Cruz do Bispo. Uma é contabilista, com escritório em Cantanhede, e a outra empresária em nome individual. Tudo indica que serão as principais mentoras de uma rede criminosa organizada que se dedicava à “legalização” de imigrantes em território nacional. A organização inclui pelo menos mais dois elementos do sexo masculino, um deles chefe da Repartição de Finanças da Mealhada e o outro empresário ligado ao setor da floresta, de origem brasileira.
Os quatro suspeitos foram detidos pela Polícia Judiciária no âmbito da operação “Neblina Atlântica”, e presentes a tribunal para primeiro interrogatório, operação que só ontem de manhã ficou concluída e foram conhecidas as medidas de coação. Assim, se as duas mulheres ficam em prisão preventiva, o chefe das Finanças está suspenso de funções, proibido de se aproximar daquela repartição pública e de contactar com os restantes arguidos. Já o empresário está proibido de se ausentar do país, de contactos com os restantes arguidos e obrigado a apresentações bissemanais às autoridades policiais.
A investigação, titulada pelo Departamento de Investigação Ação Penal (DIAP) Regional de Coimbra, levou a PJ a efetuar 12 buscas domiciliárias em toda a região Centro, com particular incidência nas zonas de Cantanhede e Mealhada, e quatro buscas em diversos serviços, designadamente de Finanças, Segurança Social, Correios e uma Junta de Freguesia, envolvendo cerca de 90 investigadores. Além da detenção dos quatro suspeitos – e um quinto elemento, por detenção de arma proibida – foram constituídos mais 15 arguidos e apreendido um vasto acervo documental, designadamente centenas de dossiers, contendo processo de regularização ilegal de cidadãos estrangeiros, grande parte dos quais provenientes do Brasil. Foi ainda apreendido equipamento informático e cerca de 50 mil euros em dinheiro.
A Diretoria do Centro da PJ começou a investigar este caso no ano passado mas, de acordo com o diretor, Avelino Lima, a atuação criminosa do grupo terá começado em 2022. Aproveitando-se da boa-fé dos cidadãos estrangeiros, o grupo apresentava-se como uma entidade credível de prestação de serviços tendente à respetiva legalização. “À cabeça” estava um pagamento definido de 200 euros, que contemplava desde a obtenção dos números da Segurança Social e de Identificação Fiscal, registo de contratos de trabalho - que envolviam empresa reais e fictícias – e capacitação para o exercício de funções a título individual, através dos chamados “recibos verdes”. Só um dos empresários detido emitiu recebidos no valor de mais de 1,5 milhões de euros, esclareceu na ocasião o diretor. Disse ainda que outro dos arguidos representava «mais de 3.500 imigrantes».









