
Fundo Rainha D. Leonor ajuda a recuperar Igreja de Vila Cova de Alva
A fachada ainda mantém a dignidade de outros tempos, mas o mesmo não se pode dizer do interior, que carece de uma intervenção urgente. Falamos da Igreja da Misericórdia de Vila Cova de Alva, que vai entrar em obras a breve trecho, com o apoio do Fundo Rainha D. Leonor. A Mesa Administrativa está feliz com a “boa nova”, que vai permitir avançar com a recuperação de um património que faz parte da identidade da vila e da memória das suas gentes e que há muito merecia atenção, mas faltavam os meios.
Margarida Figueiredo, provedora da Santa Casa da Misericórdia de Vila Cova de Alva, recorda que a Mesa tinha há muito «intenção de fazer algo pela Igreja da Misericórdia», um templo construído por volta de 1700 e que «não temos memória tenha sofrido qualquer intervenção», particularmente no interior, onde há “sequelas” complicadas, com o «sobrado que deixou de existir na Casa do Despacho» ou «a escadaria para o Coro Alto que não existe há muito», sem falar na degradação dos altares e da respetiva talha e do restante património de arte sacra. A fachada ainda se foi mantendo, beneficiando de uma ou outra intervenção feita pela Santa Casa.
A recuperação era «uma necessidade», pois muito embora Vila Cova de Alva tenha muitas igrejas, esta é particularmente emblemática. «Faz parte da identidade e da memória coletiva», sublinha a provedora, que destaca igualmente o facto de a Igreja ficar precisamente «no centro do centro histórico da vila».
A empreitada deverá rondar os 140 mil euros e conta já com 53 mil euros assegurados pelo Fundo Rainha D. Leonor
O objetivo era, numa primeira linha, proceder à requalificação da estrutura, com novo telhado e consolidação das paredes para, numa segunda fase, proceder a uma intervenção centrada no interior. Todavia, a candidatura ao Fundo Rainha D. Leonor exigiu uma intervenção completa, o que representa um custo acrescido. Como sempre tem acontecido, a Santa Casa contou com a boa vontade e solidariedade dos amigos, a arquiteta Diana Biro e a especialista em restauro Patrícia Ventura, que elaboraram o projeto de candidatura.
A provedora confessa que, apesar de a equipa de Inês Dentinho, do Fundo Rainha D. Leonor, ter visitado a Igreja e ter deixado claro que precisava de «obras urgentes», foi com redobrada satisfação que a Mesa recebeu a notícia de que o projeto foi aprovado, tendo em conta o grande número de candidaturas apresentadas – 39 e um investimento próximo dos 5 milhões de euros – quando o platafond disponível pouco ultrapassava o milhão de euros.
A empreitada deverá rondar os 130/140 mil euros e conta já com 53 mil euros assegurados pelo Fundo Rainha D. Leonor. A Câmara Municipal de Arganil manifestou disponibilidade em ajudar, suportando até 20% do investimento, afirma, agradecida, a provedora. A União de Freguesias de Vila Cova de Alva e Anceriz também já “disse presente” e a própria Misericórdia tem algum fundo de maneio destinado à empreitada. Todavia, contas feitas, a soma ainda não perfaz o valor necessário, mas a provedora acredita que o «vilacovenses de alma e coração nos vão ajudar».

Um espaço de culto e uma área cultural
O concurso vai ser lançado o mais rapidamente possível, pois «a empreitada tem que começar no prazo de seis meses», refere Margarida Figueiredo. O objetivo é fazer «uma obra simples», que «fique bonita», com um «espaço de culto destinado à Irmandade, que tem andado sempre em casa emprestada», explica. Segundo a provedora, quando a Irmandade tinha pouco elementos, reuniam na Igreja da Misericórdia, mas quando os irmãos cresceram, «já não cabiam e passaram a usar a Igreja do Convento». Com as obras, a Irmandade vai recuperar o seu espaço e um local de culto. O restante espaço destina-se a acolher eventos de natureza cultural. Aliás, a Misericórdia já ali tem realizado algumas iniciativas, nomeadamente exposições.
A data do desfecho da obra é uma incógnita, mas está desde já garantido que será um momento de festa e celebração para a Misericórdia e para Vila Cova de Alva.









