Areaclientedc
Última Hora
Pub

Correção dos exames está garantida, mas como vai ser a revisão de provas?

Professores terminam hoje correção das provas, segundo o calendário definido, depois de ultrapassar muitos constrangimentos. Sexta-feira Ministério divulga os resultados

O ministro da Educação garantiu ontem que a correção das cerca de 300 mil provas dos 11.º e 12.º ano fica hoje concluída. Diretores de escolas e agrupamentos da região assumem que isso vai acontecer, graças ao enorme esforço e mobilização geral dos professores. Todavia a divulgação dos resultados, anunciada para sexta-feira, pode significar uma nova odisseia.

A maioria dos docentes do Agrupamento de Escolas Jaime Cortesão, de Coimbra, foi mobilizado para a correção de provas, «inclusive coordenadores» e «professores do 2.º ciclo». Significa que com «um grande esforço dos colegas», o diretor, Nelson Soares, estava ontem confiante de que o “dead line” definido pela tutela vai ser cumprido e a correção concluída hoje. Para trás fica, naturalmente, um conjunto de constrangimentos de que o diretor dá nota, designadamente a chegada das provas a “conta-gotas”, primeiro, e em catadupa, depois, além de que a plataforma «é uma incógnita, que obriga a uma atenção contínua», pois as provas podem surgir «a qualquer hora», inclusivamente «durante o fim de semana», como aconteceu. Mais delicados foram os problemas com as «provas incompletas», decorrentes ou da «má digitalização» ou da falta da “folha seguinte”, o que significa uma resposta incompleta e que, naturalmente, criou «alguns atrasos», refere.

Todavia, tudo isto já serão “águas passadas” no entender do diretor do Agrupamento de Escolas Jaime Cortesão, que está mais preocupado com o “Day After”. Isto porque, depois do ministro Fernando Alexandre ter anunciado que cada aluno vai acesso, na sexta-feira, através de um link, à respetiva prova, Nelson Soares não tem dúvidas de que «vai ser muito fácil haver reapreciação de provas». «Quem é que as vai fazer?, questiona, lembrando que dentro de 15 dias os professores da “sua” escola estão de férias. «Não posso mexer nas férias, é ilegal», avisa e relativamente a mais um «apelo à boa vontade» lembra que já foi com esse espírito que as provas foram classificadas.

Isabel Amoroso apelou a todos os docentes convocados em prol dos alunos para cumprir a sua missão

«Essa é, agora, a minha grande preocupação», assume o diretor, lembrando que no sistema até agora em vigor o pedido de revisão envolvia alguma proatividade para aceder às provas, que agora vão ficar disponíveis sem qualquer esforço. «Quem vai resolver isso?», pergunta.

Sobre eventuais «compensações» já faladas, Nelson Soares entende que, mais do que qualquer contrapartida económica, os professores gostariam de «fazer o seu trabalho com serenidade», pois toda esta “correria” só se justifica porque «acima de tudo estão os nossos alunos!».

«Tudo o que é novo comporta riscos. Espero que estes problemas todos tenham permitido acautelar uma solução consentânea», diz Pedro Balhau, diretor do Agrupamento de Escolas da Lousã, onde os problemas sentidos pelos cerca de 60 professores convocados para a correção de provas são semelhantes aos registados a nível nacional. Sem uma perceção “ao minuto” do que está a acontecer, o diretor acredita que o prazo vai ser cumprido e a correção concluída hoje.

Particularmente tranquila, Anabela Soares, diretora do Agrupamento de Escolas de Arganil, assume que também ali houve problemas, mas «os professores foram profissionais e debelaram essas questões». «Os corretores tinham até ao dia 14» para fazer o seu trabalho e o «Ministério até ao dia 17» para divulgar as classificações, «todo o processo está alinhado», afirmou. «Estamos todos tranquilos» mesmo relativamente ao processo de reapreciação de provas, pois «vão ser definidas normas», que a escola vai seguir, adianta.

Vinda de Paris para corrigir exames

Toda a Escola Secundária José Falcão, em Coimbra, se mobilizou para a correção de exames. «A Escola abraçou esta missão», disse a diretora. «Temos mais de 90% dos docentes a classificar exames», explicou ontem ao final da manhã Isabel Amoroso Lopes ao Diário de Coimbra, satisfeita com esta «mobilização geral» e sem dúvidas de que os professores vão conseguir ter a correção concluída hoje. Isso não aconteceu por acaso. «Temos uma professora que estava em Paris, de férias, devidamente autorizada». Todavia, a “pressão” da correção dos exames, ditou que fosse convocada numa segunda fase e «nessa mesma noite viajou para Portugal, para classificar exames». Um testemunho de Isabel Amoroso Lopes que exemplifica esta «mobilização geral» que marcou a rotina dos professores da escola.

Isabel Amoroso Lopes admite que possa ter havido alguns constrangimentos iniciais, designadamente problemas com as folhas de classificação ou com “folhas de continuação”, todavia essas questões não são reportadas aos diretores das escoas e/ou agrupamentos, mas diretamente para um fórum, cujos interlocutores são os responsáveis e supervisores da plataforma EduQA. Certo é que a Escola José Falcão está a «cumprir a sua missão», com «muitos, muitos professores envolvidos na correção», para «que os nossos alunos tenham as provas corrigidas» e para «haver equidade».

Isabel Amoroso Lopes não deixa de fazer notar que este é um trabalhado que «toda a gente dispensa, de bom grado, mas toda a gente abraçou essa missão», com «os professores a fazerem o seu trabalho» para garantirem que a classificação das provas é feita a tempo e horas. «Somos parte da solução e não do problema», rematou a diretora.

Com um número significativamente mais reduzido de provas para corrigir, o mega Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital tinha, ontem ao princípio da tarde, praticamente o “trabalho de casa” feito. «A maior dos testes está corrigida», dizia-nos o diretor, Carlos Carvalheira, que não escamoteia os problemas. Exemplifica com “itens” que eram disponibilizados e depois retirados, dificuldade no envio de “itens” pelo facto de a plataforma se encontrar “em baixo", ou ainda testes em fase de correção retirados e substituídos por outros. Problemas, à semelhança dos registados no todo nacional que, «com muito esforço, muita preocupação e alguma confusão» os professores de Oliveira do Hospital ultrapassaram, levando a “carta a Garcia”. «Espero que no dia 17 os resultados sejam afixados, pois isso é o mais importante», remata.

Esta é a solução

Carlos Carvalheira, diretor do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital, entende que, «independentemente dos problemas», esta solução «é inevitável» e admite mesmo algum receio de que, face às muitas críticas e pressões que se têm feito sentir, o Ministério da Educação possa «retroceder caminho». «Esta é a solução para o futuro, claro que tem que ser aperfeiçoada», defende o diretor de Oliveira do Hospital, que lembra que qualquer experiência pioneira não é fácil e este foi, efetivamente, o primeiro ano de uma nova fase e tudo isso cria, naturalmente, «um certo burburinho».

Julho 14, 2026 . 09:30

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

0 Comentários
Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right