
Tentou matar o namorado depois de sucessivas situações de maus-tratos
Arguida e vítima namoraram escassos três meses e no último começaram a viver juntos. Se a relação já tinha revelado situações tumultuosas, com a coabitação assumiu contornos fatais e o desfecho trágico não se verificou por pouco. Aconteceu em Cantanhede, na Rua Marquês de Marialva, na madrugada de 25 de janeiro de 2025. A mulher, de 27 anos, está acusada da prática de um crime de violência doméstica agravado e de um crime de homicídio na forma tentada e vai ser julgada no Tribunal de Coimbra.
Mas regressemos à madrugada de 25 de janeiro. De acordo com a acusação, da responsabilidade do Ministério Público (MP), a arguida deu início a uma discussão com o companheiro, por volta das 1h30, e «ordenou» que este «abandonasse de imediato a residência». Ele obedeceu e saiu para a rua. Todavia, a namorada foi no seu encalço, «agitada e exaltada», «empunhando» uma «faca de cozinha, com uma lâmina de 11 cm de comprimento», refere ao MP. Ao chegar junto do companheiro, insultou-o e «espetou a faca que empunhava no peito da vítima». Abandonou de seguida o local, dirigindo-se para um café-bar existente nas imediações, onde «arremessou a faca» para debaixo do balcão da cozinha». Faca que foi recuperada pelas autoridades policiais posteriormente.
Quando à vítima, atualmente com 31 anos, foi «transportada de urgência, em ambulância do INEM, para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, onde recebeu os cuidados médicos de que carecia», refere o MP, que pormenoriza as lesões da vítima, no crânio, na face e no tórax, que ditaram que ficasse 10 dias incapacitado para trabalhar.
Arguida e vítima namoraram escassos três meses e no último começaram a viver juntos
Esta foi a derradeira e tudo indica a mais grave situação conflituosa entre o casal, que configura, de acordo com o MP, um crime de homicídio da forma tentada. Todavia, antes, nos escassos três meses de namoro, as agressões verbais, os insultos, as ameaças e a coação psicológica e, inclusivamente, situações de agressão física, aconteciam com «caráter frequente». Situações que provocaram «medo e inquietação à vítima», designadamente quando lhe foi aplicado um golpe “mata-leão” que o deixou com dificuldades respiratórias, ou outras, em que foi agredido na face com «golpes de punho fechado» que lhe provocaram «dores e ferimentos».
O MP não tem dúvidas de que a arguida pôs em causa a «saúde física da vítima», ao provocar-lhe lesões corporais», bem como a sua «saúde psicológica», «humilhando-o, assustando-o e desrespeitando-o enquanto pessoa». Maus-tratos físicos e psicológicos que protagonizou, apesar da relacionamento que existia entre ambos, e que praticou na residência do casal e «em espaços públicos», diz ainda a acusação.









