
Pétalas, lágrimas e sorrisos no “até já” à Rainha Santa Isabel
A Procissão de Regresso da Rainha Santa Isabel levou de volta a imagem da padroeira da cidade ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, onde ficará durante os próximos dois anos. Segundo a tradição só voltará a sair às ruas de Coimbra em 2028 e talvez por isso milhares de pessoas não quiseram perder a oportunidade de contemplar, mais uma vez, a imagem da Rainha Santa na “peregrinação” desde a Igreja de Santa Cruz até ao outro lado do rio.
Munidas de um chapéu de chuva que serviu para filtrar os raios de sol e o calor que se fez sentir ontem à tarde, e com um «bom lugar» escolhido, duas amigas, Glória Leitão e Fernanda Mata, escutavam a missa solene presidida pelo bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, sentadas no muro entre o Café Santa Cruz e a Praça 8 de Maio. «Já é habitual virmos aqui vê-la e depois gosto muito de a ir ver chegar ao Convento. É um momento muito bonito», explicou Glória, ao Diário de Coimbra.
Uma vez que não conseguiram na quinta-feira à noite ir ver a Procissão de Penitência, o dia de ontem foi «dedicado à nossa Rainha Santa» e depois de a ver passar pela Baixa de Coimbra seguia-se uma caminhada até ao Convento.
Entre muitos pedidos, promessas a cumprir e desejos, Glória prefere agradecer, sempre. «Há 18 anos tive um problema muito grave de saúde, com um pé lá e outro cá, por isso, só tenho a agradecer à Rainha Santa», contou.
Já para Fernanda Mata os problemas, as angústias e as preocupações «desaparecem» quando avista a imagem da Rainha nos primeiros momentos em que passa a porta de Santa Cruz.
Uns metros ao lado e sentada numa cadeira, Susanne Baizley fundia-se na multidão e mesmo sem perceber uma palavra de português quis fazer parte de um dos grandes momentos religiosos inseridos nas Festas de Coimbra.
«Vivo a uns metros daqui, na Rua Ferreira Borges, e costumo visitar a Igreja, foi quando percebi que iria haver esta procissão e aqui estou eu», contou ao Diário de Coimbra, num tom animado e entusiasta de quem ainda não sabia o que iria ver.
Vinda dos Estados Unidos da América no início do ano, escolheu Coimbra para viver e, desde então, tem tentado aprender o máximo sobre a história e a cultura da cidade que confessou estar a «amar». Apesar de «não ser uma pessoa religiosa», realçou, ficou «impressionada» com a imponência da imagem da Santa e fez questão de registar muitos momentos com o seu telemóvel para depois mostrar ao filho e ao marido que moram nos Estados Unidos.

Há 22 anos a agradecer a ajuda da Rainha Santa
De entre as várias meninas e mulheres que envergaram as vestes da Rainha Santa Isabel na procissão e que precedem o andor, a presença e o rosto de Vera Forte tornou-se conhecido e o Diário de Coimbra quis conhecer a sua história. Cumprir promessas e agradecer levam Vera a participar na procissão «há 22 anos». «Venho cumprir uma promessa que fiz pelo meu filho», acaba por confessar, sublinhando ainda que leva também consigo «pedidos por amigos e familiares que estão com cancro».
«Tudo aquilo que tenho pedido à Rainha Santa tem-se cumprido e, por isso, venho agradecer», assume, levando nas mãos um ramo de rosas cor-de-rosa. A mesma cor que escolheu para o vestido que comprou para participar nas procissões. «Este vestido comprei-o há muitos anos e este que uso sempre que participo na procissão», contou a devota da padroeira ao nosso jornal, já visivelmente emocionada ao ver o andor aproximar-se da Ponte de Santa Clara.

As temperaturas mais baixas do que o habitual para esta altura do ano foram um convite para que a cidade saísse à rua para ver a Procissão de Regresso. Uns com bancos de plástico, outros com cadeiras ou mesmo de pé, largos milhares de pessoas espalharam--se pela Praça 8 de Maio, ruas Visconde da Luz e Ferreira Borges, Ponte Santa Clara e ao longo de todo percurso, para ver passar o andor.









