
Quinta das Lágrimas será palco feito “à medida” para a cultura
O Festival das Artes QuebraJazz celebra este ano a sua 17.ª edição já bem perto da «maioridade», como Miguel Lima, diretor artístico do projeto, relembrou, em conversa com o Diário de Coimbra. Até ao final de agosto, a oferta cultural passa muito para além dos concertos, com grandes novidades e gastronomia à mistura.
«Temos expectativas altas para mais uma edição», indicou Miguel Lima, que destacou a importância da conexão entre os diferentes anos de atividades. «No ano passado a nossa edição teve como tema “Encontros”, este ano seguimos com “Contraponto”», decisão justificada pela continuidade do processo criativo: «no final dos diálogos derivados dos encontros, há sempre opiniões distintas, contrapontos».
Para este ano, o último da sua “juvenilidade”, o festival apresenta alguns eventos merecedores de destaque, mesmo que todo o cartaz seja atrativo para todos os tipos de público. «Acredito que construímos todos os anos um programa atrativo, mas este ano é de relevo logo a primeira atuação, da Companhia de Bailado, que traz a palco uma rendição da obra “Os Maias”. A Orquestra Gulbenkian também tem atuação marcada e considero que seja um momento de grande importância», explicou o diretor.
Ainda nos destaques, há projetos que vão “além palco” e que mostram o orgulho que é participar neste festival. «O Quinteto Jeffery Davis apresenta “Contraponto”, um concerto talhado em específico para este festival», que será estreia inédita, tal como o novo espetáculo a solo de Tomás Wallenstein, a inconfundível voz do grupo Capitão Fausto. «O Festival também pode ter essa característica de rampa de lançamento de projetos».
Indo, ainda, além dos diversos palcos - Anfiteatro Colina de Camões, Escadaria Quebra Costas e Convento São Francisco - a oferta cultural tem muito mais para se conhecer. No seu interior já existe uma grande tradição, que este ano ganha um dia apenas para si: a gastronomia. «A gastronomia é uma aposta de todos os anos que pode passar por baixo do radar. Este ano tem aqui um destaque diferente por ter um dia dedicado a si, com a participação da chef Chantal Comte que vai apresentar um menu gastronómico dedicado aos sabores do rum», revelou.
"Venham conhecer a Quinta das Lágrimas, apreciem os espetáculos e vejam que a oferta é vasta e de grande qualidade”
Analisando o futuro, neste caso, a próxima edição, Miguel Lima fala em 18 anos com «regressos». «É impossível trazer tudo aquilo que já passou pelo festival, mas chegar à “maioridade” faz com que queiramos relembrar e recuperar algumas atuações e artistas que marcaram a nossa história».
Com o véu do próximo ano levantado, alertou para a «responsabilidade» de desenvolver o Festival das Artes QuebraJazz, que a cada ano atinge novas alturas. «Somos um festival de referência já e queremos agradar ao nosso público que, cada vez mais, já não é apenas de Coimbra. Não sabemos até que ponto ainda podemos crescer, mas podemos sempre fazer melhor, e é esse o objetivo ano após ano».
Uma garantia que fica é, contou o diretor, que a Quinta das Lágrimas fica na memória dos visitantes - tanto artistas, como público. «Somos um cenário idílico, que se liga com a arte. Também sabemos acolher e todos gostam muito da forma como o fazemos», dois factos que chegam a servir de inspiração para os artistas que participam na mostra.
Para os próximos tempos as recomendações de Miguel Lima são simples: aproveitar a arte e a cultura.
«A recomendação é mesmo que [todos] venham conhecer a Quinta das Lágrimas. Ainda há muitas pessoas, mesmo de Coimbra, que não conhecem o nosso espaço, não conhecem a Quinta, [portanto] o convite é que apreciem os espetáculos e que vejam a oferta, que é vasta, e de grande qualidade».
O Festival das Artes QuebraJazz inicia-se hoje e apenas termina no dia 29 de agosto, apesar das dinâmicas de atividades variarem ao longo do evento, até dia 22 de julho a maioria dos concertos passam pelo Anfiteatro Colina de Camões, sendo depois deslocados, durante os fins de semana de agosto, para a Escadaria Quebra Costas. Para além destes locais, também o Convento São Francisco (hoje - com a Companhia de Bailado - ver página 8 desta edição) e Convento de Santa Clara-a-Nova (18 de julho - com Orquestra de Jazz do Conservatório de Música de Coimbra [concerto] e “Gato Preto, Gato Branco”, de Emir Kusturica [cinema]).









