RIO ACIMA, SEM MOTOR
Ainda não estava seca a tinta da ratificação da Assembleia Municipal, e já a Câmara – a ‘força’ do dinheiro continua a impressionar-me verdadeiramente! – rubricava com a banca o empréstimo de 22 milhões de euros que garantirá, a médio prazo, um conjunto de obras apenas estratégicas. Com os bolsos assim bem recheados (que soma às receitas próprias, elas mesmas dilatadas com recentes acréscimos na cobrança de impostos diretos), fica felizmente afastada, pelo menos por razões económicas, qualquer justificação para o executivo não apresentar, ao longo do mandato, de acordo com o seu programa político, obra substantiva em favor do desenvolvimento sustentado de Coimbra e região.
Ana Abrunhosa, em entrevista recente, dizia, quase nem quero acreditar, que, cito, de forma realista, esperamos ter o canal central (do metrobus) a funcionar até à Praça da República em outubro, e no início de 2027 deverá chegar a Coimbra B. Mas, depois de permanentes delongas, constantes adiamentos nos prazos, não é para, naqueles troços, tudo estar finalmente pronto, e em início de testes – conforme foi reiteradamente prometido –, já para o mês que vem, em agosto?!
Reparar os estragos, executar o projetado, elaborar e respeitar um programa de manutenção da infraestrutura e criar uma equipa dedicada com vontade de o concretizar. Eis, tudo simples, e claro, com certificação científica e sem lugar a assomos de aproveitamento politiqueiro, a substância das conclusões do grupo de trabalho da Universidade de Coimbra que estudou as cheias de fevereiro do rio Mondego. Agora, assim o queiramos – até já foi anunciada a abertura do concurso para a construção da barragem de Girabolhos – é só meter mãos à obra, fazer.
Num tempo em que a presidente da edilidade, em resposta a questão levantada sobre o atual estado do processo, asseverava que o plano Busquets para os terrenos da antiga Estação Nova foi feito de forma integrada e não pode ser ignorado, pelo que servirá, seja isso que for, de ‘pano de fundo’ para a sua reconversão urbana, chega a notícia de que o concurso do troço Oiã-Taveiro da Alta Velocidade (que inscreve a construção da nova gare intermodal de Coimbra) recebeu propostas de dois consórcios construtores.
Para ainda maior opróbrio do Conselho Geral da UC, o Presidente da República promulgou o novo RJIES; dando continuidade a uma forma inovadora de resolver o processo bloqueado há décadas, a Câmara adjudicou a elaboração do projeto – que se exige seja de excelência arquitetónica – do futuro Palácio da Justiça; com a entrada em operação de dezasseis novos autocarros elétricos médios, nunca os SMTUC dispuseram, em quadro diametralmente diverso da herança recebida pelo anterior executivo, de tão numerosa e qualificada frota; a Ikea apresentou à cidade a loja, não a desejável standard, antes um formato pioneiro no nosso país; o Instituto Miguel Torga vai disponibilizar – e a ideia da transferência não há de passar, cuido, apenas pelo contributo para a vivificação da Baixa – as suas aulas em edifício (ou edifícios, não percebi ainda muito bem) municipal na Ferreira Borges; e tem amanhã início, culturalmente sempre desafiante, o Festival das Artes/Quebra Jazz.








