Regresso a Casa
Eis o tão desejado regresso. Ao reencontro com família, amigos e consigo próprio. Mais do que “voltar à terra”, as dinâmicas sociais transformam-se. É nas cidades e aldeias nativas que reencontram os seus, evocam memórias e contam histórias. Onde querem partilhar com os filhos e netos, que, mesmo tendo crescido fora, sentem o irresistível apelo deste sentir e sabor tão agregadores que permanecem “tatuados” desde criança. É casa.
Estas dinâmicas sociais são fundamentais para quem regressa e para quem recebe de volta. Quem regressa sazonalmente, muitas das vezes, o que deseja realmente é ficar definitivamente.
As palavras escritas até aqui refletem a realidade de muitos cidadãos ou migrantes de qualquer parte do mundo.
Na sétima arte encontramos obras que abordam de forma objetiva a emigração. A “Gaiola Dourada”, do cineasta luso descendente Ruben Alves, além de acompanhar a vida e dinâmicas sociais de emigrantes portugueses, destaca a importância da integração nas diferentes comunidades, a sua capacidade adaptativa e o papel inclusivo de quem recebe, sempre destacando a eterna saudade e uma forte identidade.
Os portugueses são destemidos. Sempre tivemos a capacidade de tomar a iniciativa, procurar alternativas e ir à(s) descoberta(s). O fluxo migratório dos portugueses com mais expressão e impacto demográfico foi nas décadas de 60 e 70, estimando-se que cerca de 1,5 milhões de portugueses terão saído para outros Países, por questões políticas e económicas. Saíram para procurar uma vida melhor. Nos últimos anos Portugal tornou-se também um dos Países desejados para esse efeito. Contudo, os diferentes idiomas, hábitos culturais e religiosos são um desafio para a integração, tendo sido inclusivamente o tema central do recente Encontro de Psicólogos do Norte alusivo às “Migrações - Intervir na diversidade". Trata-se de um contexto sensível e de elevado interesse para a opinião pública em que, através de uma comunicação construtiva e literacia, se pode ajudar a esclarecer, agregar e a compreender melhor as diferenças de quem vem para acrescentar valor e dar uma vida melhor às suas famílias. Só assim se consegue ultrapassar o medo, integrar e convergir num espaço comum baseado em factos e a viver em harmonia, independentemente do País. Só assim é possível o desenvolvimento de uma sociedade, tal como nós temos sido exemplares a ajudar a desenvolver outros Países.
Na realidade, ninguém quer sair daquela que é a sua casa. Aliás, quando estamos fora, o regresso é, na maioria das vezes, um “chamamento” e um objetivo. Independentemente da nossa nacionalidade, queremos é sentir-nos novamente em casa. De preferência aquela que desde sempre nos acolheu, aquela onde criámos laços cuja finitude não se encerra na distância física, aquela que prevalece alimentada pela saudade e ânsia das emoções espelhadas nos olhos e nos abraços sentidos na despedida, com o tão almejado regresso.







