
Tradição e devoção mantém viva procura de fatos de anjo
tradição não tem tanta procura como outrora, contudo, há quem continue de portas abertas e se dedique ao aluguer de fatos de anjinhos e de vestes de Rainha Santa Isabel para a procissão que vai acontecer nos dias 9 e 12 de julho, em honra da padroeira da cidade. Onde antes existiam várias lojas dedicadas ao aluguer de fatos, hoje apenas uma delas se mantém em funcionamento. Na rua Martins de Carvalho, mais conhecida por “Rua das Figueirinhas” na pequena loja de Carlos Nossa encontram-se pendurados dezenas de exemplares de vestes angelicais, principalmente, para bebés e crianças, mas também há opas brancas para quem acompanha as procissões.
Porém, a dias da procissão a procura é «muito pouca» em relação aos anos anteriores, reparou Carlos Nossa, ao Diário de Coimbra.
«Talvez por teremos três anos consecutivos de procissão, as pessoas que foram nos anos anteriores já não vão este ano», assumiu o comerciante ao lamentar a «pouca procura por fatos».
Este ano, com pouco mais de uma dezena de fatos alugados a loja da rua das Figueirinhas continua de portas abertas para atender quem - principalmente clientes habituais - procura por fatinhos de anjo do sol, da esperança ou as roupas da Rainha Santa Isabel para “pagar” promessas ou para manter viva uma tradição ligada à padroeira da cidade

Cristina Batista é um desses casos e na manhã de ontem procurava entre os fatos da loja de Carlos Nossa um «fatinho de anjo do sol» para a sua neta, mas acabou por alugar um vestido e um manto cor-de rosa da Rainha Santa. «Não havia o tamanho da minha neta, por isso escolhemos um fatinho cor de rosa com a coroa e com as flores», contou a devota ao nosso Jornal. «Vamos fazer a procissão na quinta-feira porque sempre está menos calor», confessou, assumindo que a sua devoção e as promessas feitas à santa a levam a participar nas procissões desde que se lembra. «Este ano, a minha neta vai por causa de uma promessa que a mãe fez e eu fiquei de vir aqui buscar o fatinho».
Isabel Cascão continua a costurar fatinhos por paixão
No coração da Baixa de Coimbra, na Rua da Loiça, Isabel Cascão costura dentro de uma loja mais um manto para terminar um fato para a procissão da Rainha Santa Isabel. Rodeada de dezenas de fatos de todos os anjos conhecidos e roupas da padroeira de todos os tamanhos e cores, a costureira também confessa a «baixa procura» este ano pelas vestes angelicais.
«Noto que este ano há mais procura por fatos para adultos, mas eu gostava de ver mais anjinhos na procissão», realçou Isabel Cascão que se dedica a este negócio há 40 anos. «A minha avó já fazia fatos, depois passou para uma tia minha e há 40 anos que costuro e alugo os fatinhos».
Contudo, Isabel não se cinge à procissão de Coimbra, durante o verão “viaja” pela região para alugar vestes nas várias procissões religiosas. «Eu já estou reformada, mas continuo esta tradição por devoção e paixão», confessou.
Questionada sobre a clientela que procura este serviço, Isabel não tem dúvidas: «Já não há promessas como antigamente. hoje são mais as avós ou as mães que têm o gosto de levar as crianças à procissão». Dos tempos da avó, recorda as promessas feitas «pelas mães e mulheres da guerra colonial» e talvez por isso continue todos os anos a costurar mais um fatinho, a arranjar os mantos ou a aprimorar um vestido da Rainha Santa Isabel.










