
Três mulheres que a arte uniu para mostrar que existe beleza na solidão
Iryna Marconi, Pratibha Agdern e Rucsandra Pop são três mulheres que escolheram (ou viram-se forçadas a escolher) Coimbra para ser a sua nova casa. Vindas de três pontos do globo - Ucrânia, Roménia e Estados Unidos da América - encontraram em Coimbra e entre si, não só a paixão pela própria cidade, mas um ponto em comum: a fotografia e a arte como forma de comunicação. A ideia de montar uma exposição surgiu naturalmente depois de partilharem um pouco das suas histórias e interesses nas aulas de português.
A exposição apelidada de “Coimbra: Padrões de Solidão”, na realidade, divide-se em três pequenas exposições, sendo que cada uma delas é o resultado de um olhar apurado e atento à vida quotidiana em Coimbra, à beleza dos pequenas gestos ao deslumbramento da natureza e beleza do Jardim Botânico.
«Quem chega a uma nova cidade descobre coisas que quem mora cá não vê. Temos um olhar diferente sobre Coimbra. Para mim é a Baixa de Coimbra, para a Pratibha é o Jardim Botânico», explicou Iryna, em conversa com o Diário de Coimbra, sobre os trabalhos em exposição. Com experiência em fotografia [foi fotógrafa num teatro na Ucrânia até ao início da guerra], Iryna procura momentos banais do quotidiano, uma mulher à porta do café; um senhor que se resguarda da chuva debaixo de um chapéu; uma esplanada ou um dia de sol são alguns dos cenários das fotografias de Iryna que vive em Coimbra há quatro anos. «São como autorretratos, aqueles momentos que estão a acontecer, desde a solidão, a presença humana, o dia a dia...», sublinhou.

Três mulheres, três olhares pela cidade, três exposições fotográficas podem ser visitadas até ao final do mês, no Liquidâmbar

Já para Pratibha, uma nova iorquina que escolheu Coimbra para viver a sua reforma, o seu “habitat” é o Jardim Botânico que conheceu dois dias depois de ter vindo de malas e bagagens para a cidade dos estudantes. «Quando entrei no Jardim Botânico fiquei deslumbrada, teve um efeito poderoso em mim. Tão pacífico, tanta beleza e diversidade», afirmou. Ao invés do caos da cidade, Pratibha prefere olhar para a beleza da natureza que fotografa em grande dimensão. «As minhas fotografias são fotografias aproximadas das flores e das plantas que fotografo», realçou. «Um dia estava a preparar umas fotografias que queria oferecer a uma amiga e quando as coloquei ao acaso em cima da cama vi que elas se conjugavam», salientou a artista, explicando como surgiu a ideia de compor através da macrofotografia. Com milhares de fotografias guardadas, Pratibha continua a encontrar beleza no Jardim Botânico todos os dias. «Encontrei esta paixão numa altura em que tudo era stressante, porque vir para uma cidade nova, sozinha, pode ser difícil, mas ali encontrei a calma e a paz que precisava».
Entre colagens e fotografia, Rucsandra demonstra, a partir da sua arte, a sensação que um emigrante pode ter. «Tal como um migrante que monta uma nova vida a partir de pedaços dispersos, construo novas narrativas com materiais que carregam vestígios de diferentes lugares e tempos». É assim que Rucsandra apresenta a sua exposição que, ao lado de Iryna e Pratibha, demonstram que a solidão pode dar lugar a novas visões, a novas emoções e, sobretudo, a novas formas de expressão.
A exposição estará patente no Liquidâmbar até dia 29 de julho.









