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Misericórdia de Arganil presta homenagem a Dias Coimbra

Cerimónia está marcada para amanhã, pelas 16h00, no Jardim Condessa das Canas, com o descerramento do busto do antigo provedor

A Santa Casa da Misericórdia de Arganil vai homenagear uma das figuras maiores da instituição e do concelho de Arganil, José Dias Coimbra (1934-2024), o provedor que fez uma verdadeira revolução dentro e fora de portas. A cerimónia está marcada para amanhã, no Jardim Condessa das Canas, e inclui o descerramento de um busto, da autoria do artista poiarense Paulo Pinheiro.

«É uma homenagem mais do que merecida», considera o provedor da Santa Casa. António Carvalhais da Costa lembra o «homem grande, que se vai manter vivo na memória de todos». Um homem livre, avançado no tempo, que pautou a sua vida por ideais humanistas, por valores da solidariedade, por preocupações sociais. Mas também um homem de convicções fortes, de ideias largas, com uma enorme ambição de fazer, que deixou a sua marca dentro e fora da instituição.

Professor primário, natural da Pampilhosa do Botão, radicou-se em Arganil. «Era uma apaixonado por Arganil», conta o provedor, e as gentes do concelho retribuíram. «O povo exigiu a sua candidatura à Câmara», recorda, lembrando que Dias Coimbra foi presidente do município antes e depois do 25 de Abril. «Num grande incêndio, nos Cepos, o carro dele ardeu e o povo juntou-se e comprou-lhe um carro», adianta, com mais um exemplo desta «admiração do povo».

Homem de ideias largas, foi um dos fundadores da Associação Nacional de Municípios, da AIRC – Associação de Informática da Região Centro, promotor da FICABEIRA, arauto da recuperação da aldeia do Piódão, responsável pelo renascer do jornal A Comarca de Arganil, entre outras intervenções, como a Fundação do Lions de Arganil ou a Confraria do Bucho.

«Foi irmão da Misericórdia durante mais de 60 anos, 40 dos quais como provedor», refere Carvalhais da Costa, que recorda a revolução que Dias Coimbra fez dentro da Santa Casa e no movimento das Misericórdias, designadamente com a criação, em 1976, da União das Misericórdias Portuguesas.

Em Arganil, empenhou-se na recuperação da Santa Casa, depois desta perder o hospital, apostando na criação de um complexo social de referência. Seguiu-se uma renovada aposta no campo da saúde, primeiro com a criação da Unidade de Cuidados Continuados Dr. Fernando Valle e, mais tarde, com a reabilitação do Hospital de Beneficência Condessa das Canas. Uma obra simbolicamente inaugurada em dezembro de 2022, naquele que terá sido o último ato público como provedor.

O Hospital Condessa das Canas, recuperado para integrar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, «está pronto, mas não está a funcionar». A recuperação implicou um investimento superior a 4 milhões de euros, assumido pela Santa Casa, que investiu mais 450 mil euros no equipamento. «Só falta a licença da Câmara», faz notar, lembrando que a unidade tem 30 camas de convalescença e 10 de cuidados paliativos.

Esta unidade representa a concretização do último grande sonho de Dias Coimbra, que ao longo de décadas transformou a antiga lixeira do hospital na Mata das Misericórdias, hoje um recanto verde. «A misericórdia era a menina dos seus olhos», remata.

Dias Coimbra foi agraciado, em 2008, pelo Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem do Infante e no mesmo ano a Câmara de Arganil distinguiu-o com a Medalha de Ouro do Concelho.

Manter viva a memória

Nuno Gomes, diretor geral da Santa Casa, refere que esta homenagem se sucede à apresentação do livro “Um orgulho desmedido”, em 2024, a que Dias Coimbra já não assistiu. «A Mesa Administrativa entendeu que a homenagem só ficaria completa com algo que permitisse perpetuar a sua memória na história e na memória da Misericórdia e de Arganil». Assim, em novembro de 2025, foi decidido requalificar um espaço no Jardim Condessa das Canas e colocar ali o seu busto, «estrategicamente virado para a maior benemérita da instituição, a Condessa das Canas, de frente para o Hospital e com visão para a avenida principal de Arganil».

O diretor lembra que a «memória» sempre foi um valor que Dias Coimbra defendeu, pois «sem memória não há futuro», dizia. Por isso promoveu uma verdadeira cultura de memória, enaltecendo figuras marcantes que marcaram a vida da instituição. Chegou agora a sua vez.

Julho 3, 2026 . 10:00

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