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Incêndios: Fábrica em Vouzela destruída na totalidade

«Ardeu tudo, é perda total, foi a madeira, o armazém, a oficina, a parte do processo, o escritório, foi tudo, até o chão de cimento está a rebentar com o calor»

Uma fábrica de componentes de madeira ficou hoje totalmente destruída pelo incêndio que iniciou em Cambra, Vouzela, disse à agência Lusa um dos sócios da FTC.

“Somos produtores de biomassa para produção de energia em caldeiras, para substituição de gás, ou seja, temos um produto à base de madeiras e tínhamos um parque com quatro a cinco mil toneladas de madeira, que foi atingido por uma projeção”, contou Luís Lobo.

À agência lusa, este sócio da FTC disse que a fábrica “tem um sistema de incêndios na fábrica, um tanque com 125 mil litros de água com bomba de incêndios” e o trabalho que foi feito foi o de “tentar controlar, essencialmente, as projeções”.

“Mas eram de tal ordem que chegámos a um ponto que não conseguimos controlar. As projeções caíam em cima da madeira e nós não conseguimos controlar e tivemos de dar como perdida a madeira”, relatou.

Luís Lobo disse que “ardeu tudo, é perda total, foi a madeira, o armazém, a oficina, a parte do processo, o escritório, foi tudo, até o chão de cimento está a rebentar com o calor”

“Na realidade, só ficou o terreno”.

Com um total de 14 funcionários e após um investimento há quatro anos de quatro milhões de euros, Luís Lobo disse que os sócios deverão “reunir ainda hoje para decidir” os próximos passos a dar.

“Temos um seguro, mas não sei o que vai cobrir, porque com os seguros nunca se sabe muito bem, é sempre complicado”, disse.

A FTC, localizada na Zona Industrial 2 de Campia, em Vouzela, distrito de Viseu, foi “atingida por uma das projeções de uma das frentes do incêndio que começou em Cambra” na madrugada de quinta-feira.

“Em poucas horas, anos de investimento, trabalho e dedicação foram reduzidos a cinzas, num golpe devastador para a empresa, os seus trabalhadores e toda a economia local. Em poucas horas, desapareceu um projeto de vida construído ao longo de anos”, lamentou.

Segundo Luís Lobo, as restantes fábricas da zona industrial “não arderam, se ardeu alguma coisa foi mais pontual, mas à volta do espaço industrial ardeu tudo”.

Este incêndio já provocou duas vítimas ligeiras, dois bombeiros voluntários, devido ao fumo nos olhos, um da corporação de São Pedro do Sul e outra da de Vouzela.

O incêndio teve início às 03:04 de quinta-feira em Tourelhe, freguesia de Cambra. Pelas 12:45, a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicava que estavam 955 operacionais no terreno, apoiados por 308 veículos e nove meios aéreos.

Fogo já queimou mais de sete mil hectares

O incêndio florestal que começou na madrugada de quinta-feira em Vouzela, distrito de Viseu, e se estendeu a mais três concelhos, já queimou mais de sete mil hectares de floresta e mato, revelam dados europeus.

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS), o fogo que eclodiu pelas 3h04 de quinta-feira em Vouzela e se estendeu, depois, a Oliveira de Frades e Tondela (Viseu) e Águeda (Aveiro), a área ardida situava-se, ao início do dia de hoje, nos 7.191 hectares, estando em expansão, já que o incêndio lavra há mais de 33 horas e permanece ativo.

Os mais de 7.000 hectares correspondem a cerca de 10.000 campos relvados de futebol de 11.

Julho 3, 2026 . 14:00

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