
Linha de Fuga leva artes performativas a Bruscos e Alfafar
A Linha de Fuga promove, de amanhã a domingo, a segunda edição da iniciativa “Há festa nas aldeias”, levando artes performativas contemporâneas a duas aldeias de Condeixa-a-Nova e Penela.
O projeto resulta «da vontade de lançar algumas provocações, mas também de fazer algumas relações com um território que, ainda que tão perto de Coimbra, às vezes, está tão abandonado», disse a diretora artística da Linha de Fuga, Catarina Saraiva.
“Há festa nas aldeias” vai decorrer nas aldeias de Bruscos (Condeixa-a-Nova), e Alfafar (Penela), localizadas “nas fronteiras” dos concelhos, procurando a circulação das pessoas entre elas.
«Jogamos com essa ideia do simbolismo das fronteiras e de como, às vezes, as pessoas não vão de um lado para o outro porque já pensam que é num lugar longe e as fronteiras não são bem assim, são espaços simbólicos», acrescentou.
A novidade desta edição foi o lançamento de uma bolsa de apoio à criação de artistas locais, em que os criadores teriam de ter como «primeiro espaço de inspiração» o território rural, «para depois passarem com esses mesmos espetáculos para território urbano».
«Lançámos uma provocação, um desafio, aos criadores locais de pensar em espetáculos ‘site specific’, pensados para determinados locais, e que, depois, pudessem ser transpostos para outros locais», explicou Catarina Saraiva.
Organização espera que cidade e campo se possam encontrar neste programa cultural
Amanhã A Bela Associação apresenta “As periféricas”, uma peça de dança, teatro e concerto sobre precariedade, cuidado e sobrevivência, no Centro Cultural e Recreativo de Bruscos, às 21h30.
No sábado, às 17h00, Malu Patury propõe uma experiência participativa de dança com “O mundo é um corpo, um corpo é um encontro, um encontro é um mundo”, para famílias, seguida da apresentação de “Liturgia de transformação” de Cláudio Vidal e Maria Antónia Torres, resultado de um processo de escuta da comunidade. Ainda em Bruscos, a Estrutura Baldia propõe “Manual para Pertencer”, uma caminhada teatral construída a partir de testemunhos recolhidos na aldeia, com lugares limitados, com início às 19h00.
No domingo de manhã, em Alfafar, o Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) irá organizar uma oficina de dança e canto tradicional, que será seguida de um baile aberto ao público, a partir das 16h00. A iniciativa inclui ainda o almoço-convívio “A arte na refeição ou a refeição na arte?”, concebido por Carlota Lagido, que cruza alimentação e arte como espaço de encontro.
Será disponibilizado transporte entre as duas aldeias, esperando-se também que «as pessoas da cidade consigam entender o quão difícil é chegar à cidade, mas fazendo o caminho inverso, e que apareçam». «Uma das grandes expectativas é criar esse encontro entre cidade e campo, fazendo esta viagem ao contrário», referiu










