
Coimbra Supernova quer provocar “explosão” no setor espacial
As “estrelas” existiam, mas faltava a “constelação”. É esse o papel da Coimbra Supernova, um cluster dedicado ao setor espacial que pretende ser “uma explosão estelar poderosa” e abrir caminho para uma estratégica de desenvolvimento da região centrada na economia do espaço.
O objetivo é reforçar a capacidade de atrair talento, investimento, inovação e afirmar a região no país e no mundo. Um percurso que ontem deu o primeiro passo, com a assinatura do memorando de entendimento entre as entidades fundadores e co-fundadoras, numa cerimónia realizada no Convento São Francisco, onde ficou claro o compromisso assumido por esta aliança estratégica, liderada pela Câmara de Coimbra, em parceria com a Universidade de Coimbra e o Instituto Pedro Nunes.
Como co-fundadores estão o iParque, a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra e o Município de Pampilhosa da Serra, que já possui um cluster na área do espaço e astronomia. Uma aliança extensiva aos privados, onde se posicionam empresas como a Active Space Technologies, Critical Software, Neuraspace, Open Cosmos e Spotlite e um convite à entrada de novos projetos.
Cluster quer duplicar, em 2030, volume de negócios, atingindo os 50 milhões de euros e atingir o patamar de 750 empregos altamente qualificados
A estratégia pode não estar completamente afinada, como admitiu Miguel Antunes, vice--presidente da Câmara de Coimbra, particularmente feliz com este especial presente de aniversário. «Este é um tiro de partida, não um ponto de chegada», disse, recordando que há mais de 20 anos esteve envolvido num projeto de criação de software para satélites, uma das áreas que hoje coloca Coimbra na rota da indústria espacial. Um exemplo, entre muitos, da «excelência» que existe e importa «fazer explodir», «concretizar». «Não vamos competir com os grandes centros espaciais europeus», afirmou, ciente que o importante é a diferenciação, com projetos focados no território.
Assumindo algum «entusiasmo juvenil, mas genuíno», Miguel Antunes referiu a presença marcante de Coimbra no sector espacial. «Faltava coordenação, escala, visibilidade» e «hoje demos esse passo», disse, garantindo que todos os parceiros «alinharam de imediato», permitindo criar «um verdadeiro ecossistema». «É isso que a Coimbra Supernova representa», «uma aliança entre instituições, empresas e território», «vontade de trabalhar em conjunto» e «ambição de crescer com escala e impacto».
Um crescimento que Carlos Cerqueira, coordenador da Coimbra Supernova, apresentou. Hoje, as empresas que integram o cluster representam um volume de negócios de 25 milhões de euros (valor de 2025) e «a ambição é dobrar esse valor» em 2030, e «mais do que duplicar» os atuais 350 empregos «altamente qualificados», atingindo 750 postos de trabalho. Trata-se de um cluster de empresas essencialmente exportadoras, que trabalham com «mercados super exigentes», o que atesta «uma qualidade acima da média», sintetizou, antes de moderar um painel, onde os representantes das empresas apresentaram algum do trabalho que têm desenvolvido.
«Não nos queremos comparar com qualquer estrutura estratosférica, mas posicionar-nos de forma diferente», disse ainda o vice-presidente da autarquia, para quem «Coimbra já está no mundo», mas quer agora «afirmar-se com outra dimensão, «quer ganhar visibilidade, atrair investimento, captar talento, reforçar a sua presença nas cadeias de valor internacionais», um caminho que agora começa «de forma estruturada».
Ao “recado” do presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, que advertiu para o facto de «um programa, uma visão sem orçamento é um sonho e é isso que Portugal sistematicamente tem feito», Miguel Antunes deixou o seu compromisso de «lutar para que este ecossistema ganhe peso e volume» e ganhe voz junto dos «centros de decisão». «Agora é tempo de fazer», concluiu.
“Juntos podemos fazer mais e melhor”
Coimbra Supernova representa uma «escolha» assumida de «dar escala», «trabalhar em conjunto, com ambição e visão de futuro», disse Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra.
A autarca referiu a «Universidade de excelência», os centros de investigação reconhecidos, o IPN como «motor de inovação», as empresas de referência. Havia talento, conhecimento e capacidade empresarial, mas «faltava uma estratégia comum» que a Coimbra Supernova representa e «nasce da convicção de que, juntos, podemos fazer mais e melhor» e «posicionar Coimbra como território de referência na economia do espaço», afirmando--se no país e «no contexto europeu e internacional».
Ana Abrunhosa assumiu numa nova «visão da cidade», que se afirma pela «inteligência coletiva», pela «capacidade de cooperação» e pela transformação e «conhecimento em valor». Uma cidade que «se afirma em rede, com a região Centro, com os seus municípios, com as suas empresas e com as suas instituições»», o que representa, também, um projeto de «afirmação política», com o qual Coimbra assume que «quer voltar a ter centralidade», «liderar áreas estratégicas», «estar onde se decide o futuro».
Uma aliança que «transforma capacidade em estratégia e estratégia em ação» e que garante que «Coimbra não é apenas parte do futuro, Coimbra quer ser protagonista desse futuro», concluiu.
Também Helena Teodósio, presidente da CIM-RC, realçou a importância deste «momento estratégico», expressão de uma «ambição coletiva de colocar a região como território de referência na área espacial, no país e no mundo». Confiante que esta aliança pode «transformar a região num ecossistema organizado, reconhecido e competitivo», assumiu o seu compromisso com esta «estratégia global», com esta «ambição comum», que acredita vai ter impacto positivo no território. «Estamos empenhados em transformar esta ambição em ação», disse a também autarca de Cantanhede, agradecendo o empenho da Câmara de Coimbra na criação desta aliança.










