Coimbra, à altura da sua memória
Coimbra foi mais do que o cenário onde a vida aconteceu; foi raiz e espelho, tempo e permanência. Cresci entre os seus muros e os seus silêncios, moldando os meus dias ao compasso do seu ritmo singular, feito de contemplação serena e de uma busca inquieta. Era um tempo partilhado em cada passo pelas ruas, em cada luz que se filtrava pelas pedras antigas. Coimbra não se impôs: revelou-se, como quem sussurra ao ouvido de quem sabe escutar.
Embora nascida numa aldeia do Minho, foi em Coimbra que plantei a maior parte do meu tempo. A cidade acolheu-me com a sobriedade que lhe é própria, ensinando-me a beleza que mora nas margens do rio, nos telhados inclinados, nos gestos quotidianos que se repetem como rituais secretos. Foi aqui que amadureci, entre os sons da cidade e as vozes que me moldaram: mestres atentos, amigos cúmplices, família que é chão e memória. Coimbra fez-se casa.
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