
Voluntárias encontram animais doentes no canil sem assistência médica
As defensoras da causa animal estiveram, novamente, na Assembleia Municipal de Arganil, no passado sábado, e desta vez para reportarem uma situação que presenciaram no dia 24 de junho no Centro de Recolha Animal, no momento em decorria uma Campanha de Adoção. Mafalda Alvoeiro informou que enquanto decorria essa campanha, os presentes verificaram que existiam animais «gravemente doentes» naquela infraestrutura e que só após o alerta, dado pelas pessoas que lá se encontravam, foram encaminhados para uma clínica veterinária. Recorde-se que pela primeira vez em décadas, depois de muita insistência das cuidadoras, o Município de Arganil decidiu promover durante três horas e num dia de semana uma campanha.
Seria de esperar que os animais estivessem preparados para adoção. Contudo, as cuidadoras que também ali se deslocaram naquele dia encontraram animais «gravemente» doentes e a necessitar de cuidados veterinários. No dia seguinte, Mafalda Alvoeiro publicava nas suas redes sociais, incrédula e com fotografias a ilustrar, que numa box do canil viu, assim como os presentes, um animal, cão ou cadela, «a vomitar e a tentar defecar e em vez de fezes saía sangue em fio», evidenciando que «se não fôssemos nós, este “desgraçado” morria ali, naquela box, sem socorro, porque não havia carrinha». «Pode vir a morrer na mesma, mas pelo menos tiveram de lhe prestar cuidados encaminhando-o para uma clínica», sublinhou a voluntária, estupefacta pelo facto desta situação ocorrer, precisamente, «durante uma tarde em que decorria uma Campanha de Adoção Animal». Mafalda Alvoeiro recordava ainda na sua página de Facebook a morte de seis cachorros no canil, ainda recentemente, manifestando a sua preocupação com os animais que estavam na mesma box que aquele que foi encaminhado para uma clínica e que «demonstravam sinais claros de doença».
«Será que os procedimentos que o município vai passar a fazer daqui para a frente são os mesmos que foram forçados a fazer na passada quarta-feira? É que na quarta-feira, simplesmente porque nós detetámos e denunciámos que havia lá animais gravemente doentes, durante uma Campanha de Adoção no Canil Municipal aberto ao público, (que claramente não iam sobreviver sem cuidados médicos), é que esses animais foram finalmente encaminhados para uma clínica veterinária», questionou a voluntária no passado sábado. A defensora da causa animal indagou ainda o presidente da autarquia, Luís Paulo Costa, se «a assistência médica aos animais do concelho vai passar a depender sempre da fiscalização e da insistência dos cidadãos» e se «os animais só têm direito a cuidados se nós os descobrirmos a tempo»
Por seu lado, o presidente do Município de Arganil, parco em palavras, remeteu as explicações para o veterinário. Ora, o que acontece atualmente é que o Centro de Recolha Animal de Arganil está sem veterinário municipal há cerca de dois meses, em virtude deste profissional se encontrar de baixa médica, sendo esta infraestrutura assegurada por um veterinário apenas duas vezes por semana, durante duas horas de cada vez, o que de acordo com Mafalda Alvoeiro e as restantes defensoras da causa animal «é manifestamente insuficiente». «Não estive durante o dia da campanha da adoção, não sou veterinário, acredito na competência técnica dos profissionais», afirmou o autarca, desvalorizando a situação ocorrida, acrescentando que «sobre as considerações que faz, são a sua opinião e não tenho por hábito contrariar opiniões, cada um tem a sua e todas são válidas em democracia»












