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Erros que as empresas portuguesas cometem no marketing de influência (e como evitá-los)

Cada vez mais empresas portuguesas estão a trabalhar com influencers — em setores tão diferentes como retalho, turismo, alimentação, tecnologia e serviços. A economia do canal justifica o investimento, as ferramentas estão disponíveis e os resultados são mensuráveis. Mas os mesmos erros repetem-se campanha após campanha, e custam às empresas portuguesas dinheiro que poderia estar a gerar retorno. A maioria é evitável com um pouco de disciplina antes de começar.

Por onde começa o problema

Antes de entrar nos erros específicos, vale a pena perceber o contexto. Portugal tem hoje milhares de influencers portugueses ativos com audiências relevantes em nichos tão variados como gastronomia, moda, viagens, fitness, tecnologia, parentalidade e finanças pessoais. O acesso a estes perfis nunca foi tão simples, e os custos por campanha são acessíveis para empresas de dimensão média. O problema não está na disponibilidade do canal — está na forma como a maioria das empresas o aborda pela primeira vez.

Estes são os erros mais frequentes, por ordem de impacto financeiro.

 

Erro 1: escolher o influencer pelo número de seguidores

O erro mais caro e o mais comum. A lógica parece razoável: mais seguidores equivale a mais alcance, que equivale a mais resultados. Na prática, a relação entre seguidores e conversão é muito mais fraca do que as empresas assumem.

Um influencer com 200.000 seguidores distribuídos por todo o país e sem nicho definido tende a ter uma audiência passiva que raramente age com base em recomendações patrocinadas. Um influencer com 15.000 seguidores concentrados numa comunidade específica — mães de crianças pequenas em Portugal, entusiastas de desporto ao ar livre, profissionais de marketing — tem uma audiência que confia nas suas recomendações e age sobre elas.

Como evitar: antes de selecionar qualquer influencer, defina com precisão quem é o cliente-alvo da empresa — idade, localização, interesses, poder de compra. Depois filtre influencers cujas audiências correspondam a esse perfil, independentemente do número de seguidores. A afinidade de audiência é o critério que determina a conversão.

 

Erro 2: tratar o canal como notoriedade em vez de performance

O segundo erro mais caro. Muitas empresas portuguesas abordam as campanhas com influencers da mesma forma que abordavam a publicidade em revistas — como um investimento de notoriedade sem retorno diretamente mensurável. Gastam o orçamento, registam impressões e alcance, e nunca sabem se a campanha gerou clientes reais.

O resultado é previsível: após duas ou três campanhas sem dados claros, a conclusão interna é que "o canal não funciona para o nosso negócio". Em muitos casos, o canal funcionaria — o problema foi a ausência de medição.

Como evitar: configurar o tracking antes de a campanha começar. Cada influencer recebe um link rastreável com parâmetros UTM e um código de desconto exclusivo. Após a campanha, é possível calcular o custo de aquisição por influencer e perceber quais os perfis que realmente convertem. Sem estes dados, a campanha seguinte é tão especulativa quanto a anterior.

 

Erro 3: controlar demasiado o conteúdo criativo

As empresas com standards de marca fortes tendem a querer controlar o que o influencer diz, como o diz e o que mostra. O resultado é conteúdo que parece um anúncio — e que a audiência identifica imediatamente como tal.

O que torna o conteúdo de um influencer eficaz é precisamente o facto de soar a ele, não a uma marca. Quando a empresa remove essa autenticidade, remove também o mecanismo de conversão. As audiências dos influencers seguem-nos porque confiam no seu julgamento e no seu estilo — não para ver conteúdo corporativo com um rosto conhecido à frente.

Como evitar: dar um briefing claro nos objetivos, mas aberto na execução criativa. Três elementos chegam: o que faz a empresa, quem é o cliente que se quer atingir, e que ação concreta se pretende que a audiência tome (visita, compra, código, reserva). O resto fica nas mãos do influencer. As marcas com melhores resultados são quase sempre as que dão mais liberdade criativa.

 

Erro 4: ignorar os direitos de utilização do conteúdo

O erro silencioso que custa dinheiro meses depois da campanha. O conteúdo produzido por um influencer tem valor muito além da publicação original. As mesmas fotografias ou vídeos podem ser reutilizados como creatividades em anúncios pagados no Meta ou no Google, em páginas de produto, em newsletters e em apresentações comerciais — frequentemente com melhor desempenho do que o conteúdo produzido internamente pela marca.

O problema surge quando, seis meses depois da campanha, a empresa quer usar esse conteúdo em publicidade paga e não negociou os direitos antecipadamente. O influencer pede pagamento adicional, a empresa paga duas vezes ou desiste da reutilização.

Como evitar: negociar os direitos de utilização no briefing inicial, antes de qualquer conteúdo ser produzido. Especificar onde pode ser usado (redes orgânicas, publicidade paga, site, email), por quanto tempo (6 meses, 1 ano, perpétuo) e que modificações são permitidas. O custo adicional de negociar direitos alargados antecipadamente é quase sempre inferior ao valor que a reutilização produz.

 

Erro 5: fazer campanhas pontuais em vez de parcerias contínuas

O último erro mais frequente: tratar cada campanha como uma transação isolada. A empresa trabalha com um influencer, avalia os resultados, e na campanha seguinte escolhe perfis diferentes.

Esta abordagem desperdiça o efeito de acumulação. Quando um influencer faz três campanhas para uma marca ao longo de doze meses, a terceira campanha supera consistentemente a primeira. A audiência viu a marca várias vezes num contexto de confiança, o influencer conhece melhor o produto e a qualidade do conteúdo melhora com a familiaridade. As empresas que rodam constantemente de influencer para influencer perdem este efeito por completo — estão sempre a começar do zero.

Como evitar: após cada campanha, identificar os influencers com melhor desempenho e estruturar parcerias de continuidade com eles. Mesmo relações de embaixador em regime simples, com uma ou duas campanhas por trimestre, superam quase sempre uma série de colaborações pontuais com perfis diferentes.

 

O padrão por trás dos erros

Todos os cinco erros têm uma raiz comum: tratar o marketing de influência como uma ação criativa ou de relações públicas em vez de um canal de aquisição estruturado. As empresas portuguesas que evitam estes erros aplicam ao canal a mesma disciplina que aplicam à publicidade paga ou ao email marketing — medem, otimizam, e constroem relações a longo prazo com os parceiros que geram retorno. As que continuam a cometê-los estão a financiar a aprendizagem dos seus concorrentes.

Junho 29, 2026 . 15:49

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