
“Há festa nas aldeias” leva artes performativas a Condeixa-a-Nova e Penela
A Linha de Fuga promove, entre 03 e 05 de julho, a segunda edição da iniciativa “Há festa nas aldeias”, levando artes performativas contemporâneas a duas aldeias de Condeixa-a-Nova e Penela, no distrito de Coimbra.
O projeto resulta “da vontade de lançar algumas provocações, mas também de fazer algumas relações com um território que, ainda que tão perto de Coimbra, às vezes, está tão abandonado”, disse à agência Lusa a diretora artística da Linha de Fuga, Catarina Saraiva, com sede em Coimbra.
“Há festa nas aldeias” vai decorrer nas aldeias de Bruscos (Condeixa-a-Nova), e Alfafar (Penela), localizadas “nas fronteiras” dos concelhos, procurando a circulação das pessoas entre elas.
“Jogamos com essa ideia do simbolismo das fronteiras e de como, às vezes, as pessoas não vão de um lado para o outro porque já pensam que é num lugar longe e as fronteiras não são bem assim, são espaços simbólicos”, acrescentou.
A novidade desta edição foi o lançamento de uma bolsa de apoio à criação de artistas locais, em que os criadores teriam de ter como “primeiro espaço de inspiração” o território rural, “para depois passarem com esses mesmos espetáculos para território urbano”.
“Lançámos uma provocação, um desafio, aos criadores locais de pensar em espetáculos ‘site specific’, pensados para determinados locais, e que, depois, pudessem ser transpostos para outros locais”, explicou Catarina Saraiva.
A 03 de julho, A Bela Associação apresenta “As periféricas”, uma peça de dança, teatro e concerto sobre precariedade, cuidado e sobrevivência, no Centro Cultural e Recreativo de Bruscos, às 21:30.
No sábado, às 16:00, Malu Patury propõe uma experiência participativa de dança com “O mundo é um corpo, um corpo é um encontro, um encontro é um mundo”, para famílias, seguida da apresentação de “Liturgia de transformação” de Cláudio Vidal e Maria Antónia Torres, resultado de um processo de escuta da comunidade.
Ainda em Bruscos, a Estrutura Baldia propõe “Manual para Pertencer”, uma caminhada teatral construída a partir de testemunhos recolhidos na aldeia, com lugares limitados, com início às 18:00.
No domingo de manhã, em Alfafar, o Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) irá organizar uma oficina de dança e canto tradicional, que será seguida de um baile aberto ao público, a partir das 16:00.
A iniciativa inclui ainda o almoço-convívio “A arte na refeição ou a refeição na arte?”, concebido por Carlota Lagido, que cruza alimentação e arte como espaço de encontro, com vagas limitadas e em que cada um contribuiu com o valor que quiser.
Catarina Saraiva adiantou que será disponibilizado transporte entre as duas aldeias, esperando também que “as pessoas da cidade consigam entender o quão difícil é chegar à cidade, mas fazendo o caminho inverso, e que apareçam”.
“Uma das grandes expectativas que temos é criar esse encontro entre cidade e campo, fazendo esta viagem ao contrário”, referiu.
A intenção é também fazer uma avaliação com as pessoas da aldeia sobre a iniciativa, “até para pensar, se futuramente, estas pessoas não podem participar mais dentro daquilo que é a conceção de um programa de arte contemporânea”, indicou a responsável.












