
Manifesta 2028 quer ser motor de transformação da cidade
Coimbra aproveitou a abertura da Manifesta 16 Ruhr, este fim de semana, na Alemanha, para reforçar a preparação da edição de 2028, que marcará a estreia de Portugal na bienal europeia nómada de arte contemporânea.
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, integrou a delegação portuguesa presente na abertura da Manifesta 16, numa deslocação enquadrada no processo de preparação da Manifesta 17. A comitiva incluiu também o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, representantes da Universidade de Coimbra, do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) e técnicos municipais envolvidos na organização da edição que Coimbra vai acolher.
Ao longo dos últimos dias, a delegação portuguesa acompanhou visitas técnicas, encontros institucionais, apresentações públicas e momentos de trabalho promovidos pela International Foundation Manifesta, numa edição particularmente relevante para Coimbra por se tratar da bienal imediatamente anterior à que a cidade receberá em 2028.
No âmbito do programa oficial da abertura, Coimbra promoveu ainda uma receção institucional dirigida a representantes internacionais da Manifesta, parceiros culturais, entidades públicas e convidados da organização, para apresentar a cidade como futura anfitriã da bienal e dar a conhecer a visão da candidatura vencedora.
Foi nesse contexto que Ana Abrunhosa apresentou a Manifesta 17, sob o tema “A Sea of Trees”, como um projeto de transformação urbana, cultural e territorial, defendendo a cultura como instrumento de desenvolvimento económico, social e urbano.
A Manifesta é uma bienal europeia nómada de arte contemporânea que, desde 1996, percorre diferentes cidades
Na sua intervenção, Ana Abrunhosa destacou Coimbra como uma cidade que alia património, conhecimento, inovação e qualidade de vida, afirmando que a cultura deve ser encarada como um instrumento de desenvolvimento urbano, económico e social.
A presidente da Câmara ligou a futura bienal a um conjunto de intervenções e objetivos que o município tem vindo a assumir para a cidade. Entre os projetos destacados surgem a regeneração da Rua da Sofia, a valorização da frente ribeirinha do Mondego, a reabilitação de edifícios históricos, a mobilidade sustentável e a revitalização da Baixa de Coimbra. No discurso, Ana Abrunhosa procurou também enquadrar o tema escolhido para Coimbra na realidade territorial da região Centro.
A imagem de “A Sea of Trees”, afirmou, remete para uma paisagem marcada pela floresta e pela sua beleza, mas também pela vulnerabilidade e pelas cicatrizes deixadas pelos incêndios.
A Manifesta 17 deverá, por isso, servir igualmente de plataforma de reflexão sobre os desafios ambientais, sociais e territoriais contemporâneos, articulando criação artística, património, sustentabilidade e participação comunitária.
Ana Abrunhosa sublinhou ainda que a candidatura de Coimbra resultou de uma parceria entre o Município, a Universidade de Coimbra e o CAPC, atribuindo um papel central ao percurso da Bienal Anozero na afirmação da cidade no panorama da arte contemporânea.
A edição deste ano da Manifesta decorre na região alemã do Ruhr, sob o tema “This is not a church”, ocupando 12 igrejas desconsagradas distribuídas por Duisburg, Essen, Gelsenkirchen e Bochum. Segundo a agência Lusa, a bienal integra também participação portuguesa, com obras de Pedro Cabrita Reis, Sara Bichão e do coletivo PELE.
Criada nos anos 1990, a Manifesta distingue-se por mudar de cidade anfitriã em cada edição, promovendo projetos ligados às especificidades sociais, urbanas e culturais dos territórios que acolhem o evento.
A escolha de Coimbra para receber a edição de 2028 foi anunciada oficialmente esta semana e representa a primeira vez que a bienal terá lugar em Portugal.












