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Escritora Slavenka Drakulić morre aos 76 anos

Era uma das autoras croatas mais traduzidas no mundo e uma voz relevante contra o patriarcado e o nacionalismo

A escritora e jornalista Slavenka Drakulić, uma das autoras croatas mais traduzidas no mundo e uma voz relevante contra o patriarcado e o nacionalismo, morreu neste sábado, aos 76 anos, noticiou a imprensa local. “Deixou-nos repentinamente”, noticiou o diário croata Jutarnji List, onde Slavenka Drakulić escrevia artigos. A filha, Rujana Jeger, também escritora, agradeceu as condolências, numa mensagem publicada na sua página no Facebook, acompanhada de uma fotografia de quando era criança, com a mãe: “Recordá-la-ei assim, sorrindo.”

Nascida em Rijeka, cidade portuária no norte da Croácia, em 1949, Slavenka Drakulić iniciou a sua carreira como escritora no final da década de 1970, após estudar literatura comparada e sociologia na Universidade de Zagreb. Publicou o seu primeiro ensaio, "Os pecados mortais do feminismo", em 1984, e três anos depois o seu primeiro romance, "Hologramas do medo". Foi uma das primeiras vozes a trazer a luta feminista para o debate público na antiga Jugoslávia.

No início da década de 1990, juntamente com outras quatro autoras – Jelena Lovrić, Rada Iveković, Vesna Kesić e Dubravka Ugrešić –, Slavenka Drakulić foi alvo de um ataque misógino e nacionalista. As cinco foram apelidadas de traidoras, num artigo intitulado "Bruxas do rio", publicado no semanário “Globus”, de Zagreb.

Slavenka Drakulić vivia entre a Suécia (Estocolmo) e a Croácia, seu país de origem, onde morreu, e tinha acabado de lançar um novo livro, "Por que eu nunca aprendi a cozinhar", obra que cruza gastronomia e feminismo.

Com uma produção literária extensa, Slavenka Drakulić - cujas obras estão traduzidas para mais de vinte idiomas – aborda o comunismo e o fim do comunismo, a ascensão do nacionalismo e as guerras nos Balcãs, que se seguiram à dissolução da Jugoslávia.

A opressão das mulheres perpassa a sua obra: entre 1992 e 1994 visitou campos de refugiados na fronteira entre a Bósnia e a Croácia para conhecer as histórias de mulheres que tinham sido vítimas de violação em contexto de guerra.

Recentemente, ao lembrar a polémica gerada pelo seu ensaio “Os pecados mortais do feminismo”, publicado em 1984, Drakulić lamentou a lenta evolução dos direitos das mulheres na Croácia.

"Os temas são os mesmos, os problemas são os mesmos, a luta é a mesma. A violência contra as mulheres não diminui e os direitos reprodutivos voltam a estar ameaçados (…). O patriarcado é muito tenaz”, alertou a autora, que romantizou a vida de grandes mulheres, como a artista mexicana Frida Kahlo ou a matemática sérvia Milena Einstein.

Além de ter colaborado com vários órgãos de informação croatas, Drakulić escreveu também para a imprensa internacional, como The New York Times, El Mundo, The Nation ou The Guardian.

Junho 21, 2026 . 19:05

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