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Sobre a ignorância

Junho 20, 2026 . 16:00
"Porque «somos todos iguais na nossa profunda ignorância», cultivemos a emancipação pelo saber, a humildade intelectual e a tolerância, e recusemos a arrogância intelectual, e a menoridade, a indigência e a morbidez da intolerância e do fanatismo, um sintoma de patologia da razão e de caruncho da mente" | Diniz Freitas, professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina da UC

1 A concepção de Sócrates sobre a nossa ignorância «só sei que nada sei, e mal isso sei», ou «não sabemos nada de certo», ou ainda «só é sábio aquele que sabe que não o é»; ou a proclamação de Fausto de Goethe «e vejo que nada podemos saber! Diz-me o coração na sua pureza», foram invocadas e secundadas por Karl Popper, o maior filósofo do século XX, ao sustentar que «temos de nos conformar com o saber conjectural». Ou seja, segundo este autor, mesmo quando expressamos a verdade mais absoluta não o podemos saber com segurança e certeza porque o «saber» no pleno sentido da palavra é o «saber certo» e este não existe, mas tão só o saber conjectural: «tudo está entretecido de conjectura». E acrescenta: «enquanto o nosso saber hipotético é finito, o nosso não saber é infinito», pelo que «somos todos iguais na nossa incomensurável ignorância». Decorre deste postulado de Popper a exigência da modéstia e humildade intelectual, e a refutação da arrogância intelectual.

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