
Amnistia Internacional acusa Irão de possíveis crimes de guerra
Nestes dois ataques foram utilizados, provavelmente, drones Shahed, estima a organização. “As autoridades iranianas mataram e feriram civis no Bahrein e na Arábia Saudita, violando o direito internacional humanitário, e no âmbito de um padrão mais alargado de ataques contra países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)", lê-se num comunicado divulgado hoje.
Segundo a AI, “o conflito que teve início após os ataques ilegais dos EUA e de Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro, desencadeou uma série de ataques por parte das autoridades iranianas e de grupos armados aliados na região do Golfo, incluindo as infraestruturas civis em todo o CCG, originando, pelo menos, 28 mortos e centenas de feridos registados até à data”.
A Amnistia escreveu aos governos do Bahrein e da Arábia Saudita, em março, para pedir mais informações sobre o impacto dos ataques a infraestruturas civis, mas não recebeu resposta. A 3 de junho, a organização escreveu às autoridades iranianas. Até à data de publicação do relatório, não tinha sido recebida qualquer resposta, segundo a AI.
A 2 de março, duas munições, provavelmente drones Shahed, lançados pelas forças iranianas, atingiram o petroleiro MT Stena Imperative enquanto este se encontrava em doca seca no Bahrein.
A análise de 28 fotografias e vídeos das consequências do ataque, revela um nível de danos e um padrão de dispersão de fragmentos compatíveis com a utilização de um drone Shahed. Fragmentos da ogiva ficaram também incrustados no convés e nos sistemas mecânicos do navio, segundo a ONG. Um homem morreu e outros dois ficaram gravemente feridos.
O Stena Imperative é um petroleiro civil propriedade da Stena Bulk, uma empresa sueca. De acordo com relatos da comunicação social, as forças iranianas já tinham tentado atacar e apreender o navio, em fevereiro deste ano. No passado, o navio tinha sido contratado pelo Programa de Segurança de Petroleiros da Administração Marítima dos EUA para transportar combustível para as forças armadas norte-americanas.
No entanto quando foi atingido o navio continuava a ser um alvo civil ao abrigo do direito internacional humanitário e, no momento do ataque, não participava em operações militares.
A 8 de março, uma munição iraniana atingiu um campo de trabalho em Al-Kharj, na Arábia Saudita. Três homens morreram e, pelo menos, outros dez ficaram feridos, alguns com lesões que lhes alteraram a vida e exigiram meses de hospitalização. Todas as vítimas eram civis que trabalhavam para a empresa de limpeza Al-Twaik, prestando serviços gerais de limpeza e manutenção de terrenos na região.
A AI também falou com testemunhas de ataques ao Aeroporto Internacional de Abu Dhabi, a hotéis no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e a estações de tratamento de água e instalações de gás natural liquefeito no Qatar.
Todas descreveram ondas de drones a sobrevoar a região e a sua interceção pela defesa aérea local; alguns drones conseguiram ultrapassar os sistemas de defesa e atingiram infraestruturas civis, que são essenciais para a prestação de serviços básicos, como a água, ou para as economias da região, como as instalações petrolíferas. Outras infraestruturas civis também foram danificadas devido à queda de detritos de mísseis e drones iranianos intercetados.
Segundo a organização, após o início da guerra, as autoridades dos Estados do Golfo lançaram uma repressão generalizada relacionada com a guerra contra a liberdade de expressão, detendo mais de 1.000 pessoas, nomeadamente por partilharem conteúdos na internet ou expressarem opiniões relacionadas com o conflito e os ataques do Irão ao Golfo.












