
“Portugal perdeu demasiadas oportunidades ao longo da minha vida”
PERFIL
Nome: Henrique Neto
Idade: 90 anos
Profissão: Empresário
Henrique Neto é uma das figuras mais singulares da vida empresarial e cívica portuguesa das últimas décadas. Nascido na Marinha Grande em 1936, começou a trabalhar aos 14 anos e cresceu num ambiente marcado pela oposição ao Estado Novo, iniciando muito cedo a sua participação cívica no Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUD Juvenil). Empresário de sucesso ligado à indústria dos moldes, setor em que ajudou a projetar Portugal internacionalmente, destacou-se também como gestor, dirigente associativo e defensor de uma estratégia de desenvolvimento assente na inovação, na indústria exportadora e na qualificação dos recursos humanos. Ao longo da sua carreira, combinou a atividade empresarial com uma intervenção regular no debate público, através de artigos, conferências e livros. É, aliás, colunista semanal no nosso jornal, sempre às segundas-feiras.
Foi deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista entre 1995 e 1999, a convite de António Guterres, experiência que reforçou a sua visão crítica sobre o funcionamento do sistema político português. Defensor de reformas institucionais e de uma maior participação dos cidadãos na vida democrática, tem alertado para a excessiva concentração de poder nos partidos e para a necessidade de pensar o país numa perspetiva de longo prazo. Candidato independente à Presidência da República em 2016, Henrique Neto apresentou-se como uma voz reformista, focada na modernização económica, na educação e na valorização do conhecimento. Aos 90 anos, continua a intervir na esfera pública com a preocupação que o acompanha desde a juventude: contribuir para um Portugal mais desenvolvido.
Diário de Coimbra Fazer 90 anos muda a forma como olha para o país e para a vida pública?
Henrique Neto Muita coisa mudou e tive de me adaptar a novas condições pessoais, profissionais, políticas e, porventura mais difícil, tecnológicas. Todavia, olho o País com as mesmas convicções da juventude, quando aos 14 anos iniciei no MUD Juvenil uma longa caminhada contra o regime de Salazar, na defesa de um modelo de vida democrático e por uma nova cultura de progresso económico e social que nos aproximasse dos países mais desenvolvidos.
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