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O tempo que já não temos

Junho 15, 2026 . 10:30
"Nem só as obras públicas se arrastam sem fim à vista, por exemplo, quantas reformas da administração pública foram anunciadas desde o 25 de Abril sem nada acontecer" | Texto de opinião de Henrique Neto

O nosso País arrasta-se penosamente entre as nações europeias e onde tudo leva tanto tempo a estudar, depois a decidir e, principalmente, a fazer, que as decisões se perdem no passar do tempo.

Levámos meio século a decidir a localização do novo aeroporto de Lisboa e estou certo de que a esmagadora maioria dos portugueses à beira da reforma nunca terão a sorte de o ver terminar.

Mas não só, todas as obras ferroviárias previstas nos últimos trinta anos – modernização da linha do Norte, as linhas da Beira, do Oeste, do Poceirão ao Caia, de Cascais a Lisboa, as linhas do Algarve e do Porto a Lisboa – seguem, as que seguem, sem fim à vista.

Nem o novo presidente da empresa IP, empresa responsável por todas estas desgraças, chega ao lugar para que foi nomeado em tempo útil.

Aqui em Coimbra, o chamado metro de superfície arrasta-se penosamente por entre as promessas e os problemas que se vão descobrindo.

O chamado metro circular de Lisboa tem anos de atraso e o custo final tem tanto de desconhecido como de arrepiante, além de constituir um erro de planeamento, por relação com os outros projectos alternativos que ligariam as periferias ao centro de Lisboa.

O ministro Pinto Luz faz os anúncios mais variados, seja o novo aeroporto, seja a linha férrea Porto-Lisboa, sejam as várias pontes, obras que passarão para os novos ministros e desses para outros ministros que acabarão por chegar, por entre os mais variados interesses como, por exemplo, o caso original da construtora da primeira fase da linha do Porto-Lisboa, Mota Engil, ter a faculdade de alterar o projecto.

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