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Arguido nega sucessão de crimes dizendo à juíza que “foi o Paulo”

Recluso que está acusado de uma série de crimes não só negou os factos como ainda apresentou teorias “alternativas” ao que consta da acusação do Ministério Público

Respostas como «não tem lógica», «não é verdade» ou «veja a incongruência» foram sendo repetidas pelo arguido no início do julgamento em que está acusado da prática de 11 crimes durante 10 dias.

Respostas que levavam a presidente do Tribunal Coletivo de Coimbra a pedir, sem grande sucesso, ao arguido, de 45 anos e natural de Lisboa, para se limitar aos factos.

O arguido - que já tem longo cadastro e cometeu os crimes quando gozava de uma saída precária - apenas admitiu o que não podia negar. Que seguia num carro que se despistou quando fugia à GNR na zona de Poiares.

Tudo o que aconteceu antes, garantiu, foi o “Paulo”, pessoa que explicou não saber quem é. Foi um homem que lhe deu boleia na zona de Santarém e a quem o arguido comprara o carro minutos antes de aparecer a GNR.

Uma perseguição feita na sequência de um assalto ao Minipreço da Lousã, a 9 de novembro. O arguido disse ter ficado dentro do carro, no estacionamento, enquanto o “Paulo” lá teria entrado. Fazer o quê não sabe.

Refere a acusação do Ministério Público que o homem, munido da caçadeira semiautomática, com óculos escuros e luvas brancas, começou por beber um café no bar, para logo depois ameaçar a funcionária, ordenando-lhe que «abrisse a gaveta da caixa registadora e entregasse todo o dinheiro que ali estivesse».

Depois, fez o mesmo na caixa central de pagamento, com a funcionária a recusar abrir a caixa e o assaltante a responder, com a arma apontada às pernas de uma cliente: «ou me dás o dinheiro ou dou um tiro no pé da cliente», refere o MP. A caixa foi aberta, mas a funcionária conseguiu fugir para outra zona do espaço comercial e avisar uma colega do assalto, pedindo-lhe que «chamasse o 112». Uma diligência que permitiu que a referida patrulha da GNR fosse para o local.

Ora, o arguido disse que num primeiro momento o “Paulo” conseguiu despistar a patrulha da GNR. É nessa altura que o tal “Paulo” lhe diz que pode ficar com o carro em troca de um saco que levava com armas e dinheiro. O arguido aceitou mas a GNR apareceu novamente e na fuga despistou-se e foi preso. Do “Paulo”, nem rasto.

Para trás os vários furtos de carros e a postos de combustível referidos na acusação também teriam sido praticados pelo “Paulo”. Se bem que no caso do posto de combustível disse «não ter lógica» pelo pouco dinheiro que hoje em dia têm em caixa.

«O que o Paulo fez não é comigo», insistia, admitindo em alguns momentos que a ser ele o criminoso, teria feito de outro modo.

Já com mais de 16 anos de cadeia cumpridos, o arguido está agora acusado dos crimes de falsificação de documento, detenção de arma proibida, furto, furto qualificado, roubo consumado e na forma tentada, num total de 11 crimes, cometidos entre o dia 31 de outubro (duas semanas depois da data em que se devia ter apresentado na cadeia após a saída precária) e o 9 de novembro, quando foi preso já no concelho de Vila Nova de Poiares.

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