O Bolso de Pavlov
Há uns anos, se alguém sentisse uma vibração na coxa e descobrisse que não tinha telemóvel no bolso, era caso para preocupação neurológica. Hoje é mais um dia no escritório.
O fenómeno tem nome científico, porque os cientistas são pessoas que, perante um disparate suficientemente repetido, acabam por lhe dar um nome em latim ou em inglês. Neste caso, chama-se síndrome do toque fantasma: a sensação muito convincente de que o telemóvel vibrou quando o telemóvel não vibrou, não tocou, não apitou nem sequer estava onde julgávamos que estava.
É um dos fenómenos mais modernos da condição humana. Os nossos avós ouviam sinos ao longe. Os nossos pais ouviam o telefone fixo. Nós sentimos notificações imaginárias.
A ciência conhece bem esta pequena partida do cérebro. Estudos realizados em diferentes países mostram que a maioria dos utilizadores de smartphones já sentiu uma chamada inexistente, uma mensagem que nunca chegou ou uma vibração produzida exclusivamente pela sua própria imaginação. Não é uma doença. Não é uma perturbação psiquiátrica. É apenas o cérebro a fazer aquilo para que foi concebido: antecipar o futuro.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:








