Tigela de Ferro
A metáfora chinesa que usei para título talvez seja a que ilustra de forma mais eloquente as resistências à reforma laboral proposta pelo Governo.
Vem a mesma dos alvores da revolução que institui a República Popular da China (a mesma configuração estatal que ainda subsiste, pese embora com assinaláveis câmbios) e tem a ver com a instituição de um trabalho e de benefícios para a vida, tal qual como o seria uma tigela de arroz feita de ferro; duraria uma vida e seria imune a percalços. Com a inteligência fina que se lhes conhece, os próprios dirigentes chineses viriam a constatar (sob a liderança de Deng Xiaoping) que a consequência era a falta de incentivo ao empenho e acomodação dos trabalhadores, iniciando as próprias autoridades o processo de quebra da tigela (de arroz) de ferro.
Dito isto, é normal que, individualmente considerado, o ser humano resista à mudança, sobretudo quando domina o enquadramento laboral e pessoal da sua vida profissional. Todos querem melhorar a sua qualidade de vida, designadamente a nível financeiro, mas com o menor número de mudanças geográficas, funcionais e, sobretudo, jurídicas possíveis. Isto é verdade nas pessoas que têm, hoje, quarenta ou mais anos. Não estou seguro de que o seja para os mais jovens, que me parecem muito mais adequados a mundo que mudou radicalmente também no aspecto laboral.
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