Os jovens que ninguém esperava
Leão XIV está de visita a Espanha. Num país marcado por uma crescente polarização política e social, onde os blocos ideológicos se enfrentam com uma intensidade raramente vista desde a transição democrática, também a Igreja Católica se vê atravessada por tensões internas. À superfície, tudo parece partido.
No entanto, por baixo dessa superfície, há sinais que escapam às grelhas habituais de leitura.
Na semana passada, em Madrid, visitei uma igreja onde decorria uma Hora Santa dos Hakuna, um movimento de jovens católicos que tem vindo a suscitar curiosidade e perplexidade. O que ali encontrei não se encaixa nas categorias sociológicas mais repetidas sobre a Europa contemporânea.
Centenas de jovens enchiam o espaço. Cantavam. E, durante longos períodos, mergulhavam num silêncio profundo. No final, abraçavam-se com uma naturalidade desarmante, como se a experiência partilhada ultrapassasse o tempo.
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