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Antigos lavadouros transformados em jardins aquáticos

Quatro tanques vão manter a sua função de origem e os outros quatros vão ter plantas aquáticas. Projeto em Cepos foi distinguido pela Comissão Europeia

O projeto “Guardiãs da Água”, que prevê a revitalização do antigo lavadouro da aldeia de Cepos, na União de Freguesias de Cepos e Teixeira, foi distinguido, o ano passado, pela Comissão Europeia, com o prémio New European Bauhaus para territórios de baixa densidade, no valor de 30 mil euros, integrando uma estratégia de valorização do património local que alia memória, participação comunitária, sustentabilidade e adaptação às alterações climáticas. Com o intuito de apresentar à comunidade a primeira proposta dessa revitalização, a União de Freguesias, promoveu uma sessão pública, que teve também por finalidade a partilha de ideias, contributos e perspetivas sobre o futuro deste espaço que tem um forte significado para a população local.

Os lavadouros dos Cepos são constituídos por oito tanques de lavagem, dos quais quatro vão manter as suas funções tradicionais de lavagem e os restantes quatro vão ser reconvertidos em jardins aquáticos de tratamento natural, destinados à filtração e depuração das águas provenientes das lavagens. O projeto terá ainda um terraço para secagem de roupa e valorizará a água armazenada como recurso de apoio ao combate aos incêndios rurais.

Segundo a botânica Silvia Martins, esta solução, além de contribuir para melhoria da qualidade da água, contribuirá para a «criação de habitats húmidos favoráveis à instalação de insetos polinizadores, anfíbios e outras espécies, promovendo a biodiversidade e a valorização ecológica do espaço».

Na sessão que decorreu em Cepos, a botânica orientou a construção de pequenos vasos representativos de ecossistemas aquáticos, permitindo dar a conhecer as plantas e soluções naturais que estarão na base do futuro jardim de água a instalar no lavadouro.

Para Sílvia Martins esta iniciativa «procurou não só partilhar com a comunidade os desenvolvimentos do projeto, mas também promover ações de sensibilização e capacitação em contextos de vulnerabilidade hídrica e incêndios rurais», evidenciando que o projeto é inspirado «no papel histórico das mulheres na gestão comunitária da água», procurando transformar este espaço «num local de encontro, aprendizagem, valorização ambiental e reforço da resiliência territorial».

Já a arquiteta responsável pelo projeto, Sílvia Benedito, destacou que ideia é «poder reutilizar estas infraestruturas que já estão um bocadinho em desuso e reapropriá-las para outro tipo de uso, tal como estes ambientes aquáticos que têm tanta importância para a biodiversidade, mas também para a mitigação climática, proteção contra os incêndios, mas sobretudo é um espaço coletivo».

Preservar a memória com novas valências

Luís Paulo Costa, presidente da Câmara de Arganil, considera que o projeto “Guardiãs da Água” constitui «um exemplo muito feliz da forma como é possível conciliar a preservação da memória e identidade locais com respostas inovadoras para os desafios ambientais da atualidade», destacando que os lavadouros de Cepos «fazem parte da memória e da vivência da aldeia». Por outro lado, acrescentou, a intervenção prevista permitirá «preservar esse legado, ao mesmo tempo que introduz novas valências ligadas à educação ambiental, à biodiversidade e à gestão sustentável da água». «É uma abordagem diferente em relação ao território, que além de uma intervenção no meio natural, conta também com a participação das pessoas», sublinhou o autarca, dando nota de que os 30 mil euros do prémio serão transferidos para os baldios que irão assumir a execução da intervenção.

Junho 7, 2026 . 10:20

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