SABER NÃO BASTA
Nunca soubemos tanto sobre o clima. Os modelos atmosféricos tornaram-se mais sofisticados, as redes de monitorização produzem dados em tempo quase real e os relatórios do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) oferecem diagnósticos cada vez mais robustos sobre os riscos associados às trajetórias atuais de desenvolvimento. Paradoxalmente, quanto mais sólido se torna o conhecimento científico, mais insuficiente se revela para promover a transformação social, económica e política que os próprios dados reclamam.
O problema central do nosso tempo já não é a falta de informação. O verdadeiro desafio reside no fosso persistente entre aquilo que sabemos e o que fazemos. Décadas de investigação nas ciências comportamentais demonstram que a informação, por si só, raramente produz mudanças significativas de comportamento. Quando os riscos são percecionados como distantes, abstratos ou excessivamente complexos, a consciência do problema não se traduz necessariamente em ação.
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