
O tremoço é o rei de três dias de festa em Cadima com atividades para todos
A envolvência da Praia Fluvial de Olhos de Fervença ganha por estes dias uma nova animação e dinâmica. É assim há vários anos, com a realização sempre no último fim de semana do mês de maio da Feira do Tremoço, dinamizada pela Junta de Freguesia de Cadima.
Nesta que é a 21.ª edição, não faltam motivos para a visitar, a começar pelo acepipe que é o rei ao longo de três dias (feira começou na sexta-feira e termina hoje). E são três as tremoceiras que dão as boas-vindas, não fosse um certame de promoção de um dos ex-libris deste território da Gândara. Durante a tarde de ontem, a reportagem do Diário de Coimbra conversou com Fátima Morais e Isabel Mioto, presenças assíduas neste certame. Nas suas bancadas reluzem os tremoços, sendo difícil a quem passa resistir a levar meio, um litro ou um pouco mais para partilhar com amigos ou familiares. As medidas são de madeira, como manda a tradição.
E para honrar essa mesma tradição, Isabel Mioto faz questão de se vestir a rigor. Habituada ao contacto com o público, confessa que gosta do que faz, embora reconheça que o tremoço é uma «cultura de muito trabalho» que precisa de «oito meses na terra» e de ser «preparado com cinco dias de antecedência antes de ser vendido». Quem se dedica a este acepipe «não tem sábados nem domingos», reconhece, referindo alguns dos importantes passos que cumpre religiosamente para garantir o sabor e a qualidade do tremoço deste território.

Certame começa hoje às 9h00, com a 3.ª Caminhada Rota do Tremoço. Ranchos e bombos animam a tarde, até às 19h00
Depois de colhido, o tremoço é lavado em água corrente das nascentes de Olhos de Fervença, ficando de molho nessas mesmas águas pelo menos 24 horas antes de ser cozido. Finaliza-se com uma pitada de sal e está pronto.
Com 64 anos de idade, Isabel sabe de cor todos estes costumes, tendo crescido com eles, reconhecendo que os tremoços que cultiva não chegam para a procura, tendo, por isso, de se socorrer de outros produtores da região, garantindo «sempre a melhor qualidade». Assim é com os demais artigos que compõem a sua banca, como os pirolitos, os bolinhos em forma de cavalo e as broinhas, entre outros.
Também Fátima Morais, de 76 anos, reconhece a dedicação que este acepipe exige e, embora ainda cultive algum, já é menor a quantidade. Ao contrário de Isabel, só vende tremoço nesta feira, fazendo-o desde sempre, adiantando, porém, que esta deverá ser a sua última participação, para de imediato afirmar alegremente que «já tinha dito o mesmo no ano passado e há dois anos».
A oferta deste acepipe fica completa com a participação de Patrícia Sequeira que, como contou Isabel ao nosso jornal, está a seguir as pisadas da tia, dando continuidade ao seu negócio.
Mas não só de tremoços se faz este certame que conta com a participação ativa das muitas associações locais. Com um transversal e diversificado programa, há animação musical e sabores regionais para degustar nas tasquinhas, stands com artesanato, atividades para todas as idades, nomeadamente recriações etnográficas, culturais e jogos tradicionais. O espaço “Arca de Noé”, de Cláudia e Jorge Jesus, é um dos que dificilmente passa despercebido a pequenos e graúdos, com a sua apresentação de animais.











