
Arganil recebe investimento de 3,6 milhões para produzir polímero natural para tratamento de águas residuais
O concelho de Arganil vai acolher um investimento de 3,6 milhões de euros para a produção de um produto natural inovador destinado ao tratamento de águas residuais industriais e domésticas.
O projeto, apresentado na Cerâmica Arganilense, consiste na fabricação de um polímero de origem biológica renovável, extraído da acácia-negra, que substituirá os tratamentos convencionais baseados em produtos químicos tóxicos.
Mendes Ferreira, responsável pela empresa Nature, explicou que "este produto, com baixo nível de carbono, permite de forma natural tratar as águas das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), porque é um coagulante e floculante natural". A empresa prevê iniciar a laboração na Área de Acolhimento Empresarial da Relvinha dentro de um ano e meio.
Este responsável salientou que o projeto é "único em Portugal" e que o produto permite que as águas a jusante das ETAR sejam tratáveis "sem ter a carga metálica, tóxica, que os metais acarretam ao ecossistema".
O polímero de origem vegetal pretende ser uma alternativa ao tratamento tradicional adotado por operadores de águas residuais industriais ou domésticas, conferindo uma solução mais sustentável.
Além disso, Mendes Ferreira destacou que o uso do novo produto vegetal evitará o "fim de vida" das lamas resultantes do tratamento, permitindo-lhes outros aproveitamentos.
Referindo-se ao conceito de circularidade, o responsável afirmou que "é dar segundas e terceiras vidas àquilo que é um problema e que tem pouca capacidade de ser resolvido à luz da atual legislação nos aterros, nas incinerações ou noutras deposições que normalmente se procuram".
O projeto inclui a instalação de uma unidade industrial dedicada à transformação do extrato de acácia-negra num produto de elevada eficácia e reduzido impacto ambiental, contribuindo para a sustentabilidade, economia verde e inovação tecnológica.
Segundo Mendes Ferreira, esta iniciativa representa uma novidade à escala da Península Ibérica na utilização de produtos orgânicos vegetais para tratamento ambiental, prática que, atualmente, só ocorre em França no espaço europeu mais próximo.
O objetivo é também exportar o produto para Espanha assim que a unidade esteja em funcionamento em Arganil.
O presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa, considerou o investimento "um passo firme para um futuro mais verde do país e mais competitivo para Arganil".
Sublinhou que esta é "uma data marcante na afirmação do território e um passo decisivo na estratégia de crescimento do concelho", destacando a alteração das soluções de tratamento de águas residuais do ponto de vista ambiental.
O autarca qualificou o investimento como diferenciador e significativo, salientando o impacto positivo na criação de riqueza, atração de pessoas e emprego qualificado.
Luís Paulo Costa afirmou ainda que "este é um investimento que cumpre todos os requisitos que definimos para a atração de empresas para o nosso território e, ao mesmo tempo, é também um investimento com impacto ambiental positivo e alinhado com a transição tecnológica".
A unidade da Nature deverá empregar entre 80 e 90 pessoas, segundo o administrador Mendes Ferreira.











