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No meio da festa da Queima das Fitas surgem críticas políticas só para os mais atentos

Na tenda gigante, a festa prolonga-se até às 6h00 da manhã e é lá que os Núcleos e Associações de Estudantes vendem as suas bebidas e fazem as suas críticas e sátiras ao ensino superior

Dentro da tenda gigante montada no Parque da Canção para a Queima das Fitas vive-se uma “segunda” festa todas as noites. Com uma programação composta por diversos DJ’s é ali onde se juntam milhares de estudantes, principalmente, depois do fim dos concertos no Palco Principal e a festa só termina com a “Balada da Despedida”, às 6h00, em ponto.

Mas além disso, e só para os mais atentos, surgem críticas políticas, sociais e sobre o estado do ensino superior em muitas “barraquinhas” de madeira pintadas pelos estudantes dos mais de vinte Núcleos de Estudantes da Associação Académica de Coimbra (AAC) e pelas Associações de Estudantes do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC).

O tema do descongelamento das propinas, o aumento das rendas, o custo de vida e a saúde mental dos mais jovens são alguns dos “pontos” alvo de crítica por parte dos estudantes que dias antes do início da Queima das Fitas desenham, pintam as caricaturas e os desenhos que dão cor e vida às críticas levadas para dentro do recinto. Na parte superior da “barraquinha” da Coimbra Business School | ISCAC a letra do cantor Bad Bunny, que por estes dias esteve em Lisboa para dois grandes concertos, foi alterada numa crítica ao aumento do custo de vida para os estudantes e famílias. “Debí tirar más fotos de quando estudar não era um luxo” é uma crítica aos custos para frequentar o ensino superior. «Estudar neste momento tornou-se num luxo e, por isso, decidimos fazer esta crítica este ano», explicou Tiago Barreira, aluno de Solicitadoria e Administração, ao Diário de Coimbra.

 

Já os estudantes do Núcleo de Medicina debruçaram-se sobre os problemas dos futuros médicos no Serviço Nacional de Saúde. Num dos desenhos na lateral da barraquinha de Medicina vê-se um estudante a ir pela “água abaixo” a tentar sobreviver entre os preços da habitação, preço do bilhete da Queima, burnout, propinas.

«No fundo este desenho representa o que qualquer estudante, seja de Medicina ou não, sente no ensino superior e no fim de contas só queremos ter mais esperança no futuro», defendeu Filipa Almeida, aluna do 5.º ano de Medicina.

Enquanto uns se preocupam com o futuro no mercado de trabalho, os estudantes de Arquitetura continuam preocupados com a falta de condições no Colégio das Artes que, após a depressão Kristin, ficou com graves problemas estruturais que impossibilitam a frequência dos estudantes.

Barraquinha da Secção de Direitos Humanos vandalizada

«A nossa barraquinha este ano está “em obras” como o nosso edifício, porque continuamos ano após ano com estes problemas e não há solução à vista. Temos aulas noutros edifícios e isso tem dificultado a nossa vida enquanto estudantes», explicou Alice Neves, aluna do 4.º ano de Arquitetura.

Ao lado, a Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra também marca presença na maior festa académica do país com uma barraquinha «para todos os estudantes», como fez questão de salientar a presidente do organismo, Margarida Gomes. «A maior dificuldade de qualquer pessoa é ser discriminada por racismo, xenofobia, homofobia ou por ser mulher, por exemplo, é por isso que lutamos dentro e fora do recinto», disse a estudante, lamentando o ato de vandalismo de que foram alvo nos primeiros dias de festa. «Arrancaram todos os símbolos LGBTI que tínhamos na nossa barraquinha».

Maio 28, 2026 . 12:15

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