
Festa de Sacrifício reúne comunidade islâmica em oração
A Festa de Sacrifício, conhecida em árabe como Eid al-Adha ou Kurban Bayramı, é uma das duas celebrações mais importantes do calendário islâmico. O seu significado central baseia-se na devoção, submissão a Deus e solidariedade social.
A comunidade islâmica reuniu-se ontem para celebrar este momento na Mesquita de Coimbra, localizada no Bairro de Santa Apolónia, em Eiras, em duas orações, que tiveram lugar às 6h30 e às 10h00, juntando cerca de 300 pessoas.
«Esta festa é hoje (ontem) celebrada mundialmente, a partir da Arábia Saudita para todas as mesquitas nacionais», explicou Kayoom Aleem. «Reunimos numa oração 150 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, às 6h30 da manhã, que, após esse momento aproveitaram o dia para ir trabalhar. Depois, tivemos mais 150 às 10h00, que, no fundo, são pessoas que tinham conseguido alguma justificação a nível profissional, ficando, por vezes, sem o ordenado do dia», referiu. Nestes períodos comemorativos, homens e mulheres vestem os «trajes muçulmanos e islâmicos de festa», que, depois, «trocam para poder ir trabalhar». «Felizmente somos uma comunidade extremamente bem integrada, quer a nível nacional, quer em Coimbra, com perfeitas relações com o Bairro de Santa Apolónia», notou, realçando o trabalho que é desenvolvido pelas entidades oficiais de Coimbra, «que têm feito cursos da língua portuguesa para adaptar a comunidade». «E essa é a nossa preocupação, ou seja, ter uma nível de exigência máximo com a língua portuguesa», disse.A Mesquita de Coimbra, inaugurada em 1992, sugerida pela Associação AEDA - Associação Espírito de Ajuda, com sede na Amadora, em conjunto com Fundação Islâmica de Palmela, que «são instituições de grande rigor organizacional e contabilístico a nível nacional e que ajudam outras entidades», finalizou Kayoom Aleem.
A Festa de Sacrifício relembra a história do profeta Ibrahim e de acordo com a tradição islâmica relatada no Alcorão Deus testou a fé de Ibrahim ao ordenar-lhe que sacrificasse o seu filho Ismael. Mas no momento em que Ibrahim estava prestes a cumprir a ordem para provar a sua devoção absoluta, Deus interveio através do anjo Gabriel e enviou um carneiro para ser sacrificado em substituição do jovem.
Trata-se, no fundo, de um momento para o crente sacrificar o que mais ama no mundo terreno em prol da obediência a Deus. As famílias com condições financeiras abatem um animal (geralmente um cordeiro, ovelha, cabra ou camelo) em honra a este marco bíblico e alcorânico, sendo que a carne do animal sacrificado é estritamente dividida em três partes iguais - uma fica para a família, outra é doada a parentes e amigos e a última é obrigatoriamente entregue aos pobres e necessitados.
Celebrações podem durar até quatro dias
A comemoração, que lembra o sacrifício de Ibrahim, dura até quatro dias. No primeiro dia, homens, mulheres e crianças vestem as melhores roupas que possuem e realizam a “salat” (a oração) numa grande congregação. Os sacrifícios devem ser oferecidos somente após as referidas orações. Este festival muçulmano sucede à realização do “haje” - a peregrinação a Meca, na Arábia Saudita.












