
Homenagem ao professor que cruza com “ousadia” heavy metal com Beethoven
Liga Beethoven ao heavy metal, «cruza linguagens, constrói pontes improváveis, questiona preconceitos», mas também «desafia os alunos a pensar» e mostra-lhes que «a curiosidade é mais importante do que o preconceito». Assim é David Miguel, docente da Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra (EACMC), que está entre os 10 finalistas do Global Teacher Prize Portugal 2026 e que, ontem, foi homenageado na Câmara de Coimbra. Nas palavras de António Devesa, diretor da EACMC, David Miguel vem confirmar o que a escola onde leciona desde 2012 e onde foi alunos também defende: «tradição e inovação não são conceitos incompatíveis».
«Um conservatório que transporta uma herança profundamente enraizada na música “grita” e nós temos orgulho nessa matriz. Ela faz parte da nossa identidade, da nossa história e da nossa exigência. Mas, uma tradição viva não existe para permanecer imóvel. Existe para dialogar, existe para se interrogar, existe para continuar a criar. E este professor tem feito precisamente isso. Ou não fosse ele também professor de composição», sublinhou António Devesa.
Ao professor finalista faz questão de agradecer «pela ousadia», pela «criatividade» e «por nos lembrar que a educação continua a ser o lugar onde o futuro começa». «E obrigado por representar tão bem a nossa escola, a cidade de Coimbra e todos aqueles que acreditam que ensinar é, ainda hoje, uma das formas mais extraordinárias de transformar o mundo», acrescentou.
Professor de Análise e Técnicas de Composição, David Miguel, natural do Fundão e residente em Lisboa, no âmbito da candidatura apresentou o projeto “Riffonia”, um estágio orquestral dirigido a alunos de música que propõe o cruzamento entre repertório clássico e universos musicais ligados ao rock e aos heavy metal.
«Há um género de música que ocupa o meu universo sónico desde jovem e desde há alguns anos o meu universo pedagógico. O heavy metal», salientou o docente, consciente de que se trata de um género «com diversos tipos de fama e de estereótipos».
«Diz-se que é música extrema. Violenta. Agressiva. Problemática. Barulhenta. Uma música de degenerados. A todas essas críticas eu digo… É sim! É música extrema, sim.», referiu, lembrando que «é também outras coisas». «O metal pacifica» e é também «avassalador e surpreendente», frisou, voltando, de imediato, à definição de «extremo» e associá-la à precariedade em que vivem muitos docentes, como os professores deslocados, de que David Miguel é um exemplo.
«Todas as semanas, venho de Lisboa para Coimbra. 450 quilómetros para cumprir uma função que me deixa satisfeito e orgulhoso. Na minha escola sinto que posso realizar projetos, trazer a minha personalidade para a sala de aula, partilhar opiniões e, porventura, influenciar positivamente alunos e colegas. Custa, mas faço-o com gosto», concluiu.
Finalista entre 179 candidatos
Miguel Antunes, vice-presidente da Câmara Municipal, considera «um motivo de orgulho para Coimbra» a inclusão de David Miguel nos 10 finalistas entre 179 candidatos. «Este reconhecimento não é apenas individual, naturalmente, é também um reflexo da qualidade do trabalho que é todos os dias desenvolvido na nossa comunidade educativa», disse na cerimónia que contou com a presença de Afonso Mendonça Reis, presidente do júri.|












