
Estudantes e seniores num Abraço de Gerações que combate isolamento
Maria da Conceição Fachada, de 88 anos, estava viúva há dois meses quando Tânia, natural de Paredes, entrou na sua vida, através do projeto Abraço de Gerações. Passaram 10 anos, e Maria não tem dúvidas de que a “menina” que chegou a Coimbra para “tirar” o curso de Direito ganhou um lugar especial no seu coração e tornou-se família.
«É minha neta», sublinha, com o brilho no olhar, que só os avós revelam quando falam dos seus netos. «Tem sido um convívio maravilhoso», acrescenta Maria da Conceição, que ontem participou numa campanha de sensibilização e divulgação do projeto Abraços de Gerações, desenvolvido pela ACERSI - Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel.
«A Tânia já tirou o curso dela. É advogada. E continua comigo. Agora está no estrangeiro, com o namorado, que é fotógrafo», mas quando regressar, Maria da Conceição Fachada estará à sua espera de braços abertos, como sempre esteve. Quando iniciaram o percurso no Abraço de Gerações, Maria da Conceição já tinha um histórico de arrendar quartos a estudantes. Mas, dessa vez era diferente e a senhora, que tinha acabado de ficar viúva e com filho emigrado na Alemanha, encontrou no projeto a solução.
«Eu vou ao médico e ela é que marca as consultas. Se for preciso, vai comigo ao médico, se for preciso, vai à farmácia», contou ao Diário de Coimbra, sem deixar de referir que, até à hora da nossa reportagem, a sua menina já lhe tinha ligado duas vezes.
Maria Alice Torres, de 96 anos, não teve oportunidade de marcar presença na ação que decorreu no Alma Shopping, no entanto, enviou uma carta a Teresa Sousa, assistente social da ACERSI, a dar conta da importância que Abraço de Gerações faz na sua vida. «No meu caso tenho muito a agradecer», desde a «apresentação imediata de uma estudante que, em troca de quarto e serventia de cozinha», brindou Maria Alice com «uma carinhosa presença», permanecendo «a amizade e a satisfação pelo que foi acordado», escreve.
Se para os mais velhos, o projeto é uma oportunidade de combater o isolamento, para os estudantes deslocados, com dificuldades económicas, é a possibilidade de encontrar alojamento gratuito, em troca de companhia e apoio, num ambiente familiar.
Hugo tem 18 anos, chegou de Góis para estudar Línguas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e não podia estar mais satisfeito com a experiência e a partilha de habitação com a dona Maria Edite. «Tem sido uma experiência muito boa» e os jantares de quinta-feira tornaram-se momentos especiais, contou ao Diário de Coimbra.
No 2.º ano de Direito, Simão, de 19 anos e natural de Gouveia, faz “dupla” com Alcina, que foi médica e está sempre disponível para dar os melhores conselhos ao jovem.
«A experiência tem sido maravilhosa. Estou muito grato por poder fazer parte deste projeto», adiantou.
Atualmente, Abraço de Gerações, desenvolvido em cooperação com a Associação Académica de Coimbra (AAC), Associação de Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra e a Meo, conta com sete pares intergeracionais.











