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Trump e a armadilha de Tucídides

Maio 24, 2026 . 10:45
"Trump foi a Pequim pedir ajuda para sair do labirinto iraniano" | Texto de opinião de Américo Figueiredo

Trump foi a Pequim com a urgência de quem precisa de uma saída. Xi recebeu-o com a calma de quem não precisa de fazer concessões — e invocou Tucídides.

A cimeira de Pequim terminou como começou: muita pompa e poucos acordos concretos. Trump chamou-lhe "incrível". Xi Jinping falou de uma "nova era de estabilidade".

Mas para lá do protocolo e dos banquetes na Grande Sala do Povo, ficou uma assimetria de posições que dificilmente se pode ignorar.

Trump foi a Pequim. Xi esperou-o. Só isso, é gramática diplomática - e diz muito.

A visita esteve prevista para abril. Foi adiada porque a guerra do Irão se intensificou – não é detalhe, mostra quem mais precisava deste encontro.

Washington enredou-se num conflito sem objetivos, com Israel no comando, os países do Golfo a alinharem-se de forma errática, a inflação a aumentar e as eleições americanas a aproximarem-se como um abismo. Trump foi a Pequim pedir ajuda para sair do labirinto iraniano.

Quer os mínimos: um acordo de desnuclearização que lhe permita reclamar vitória e recuar com alguma dignidade.

Conseguiu que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e que Teerão não deve ter armas nucleares - mas nada concreto foi anunciado. Xi assegurou, Xi escutou, mas ficou onde estava.

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