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Meu bom Pai

Maio 24, 2026 . 12:30
Centenário da morte de Camilo Pessanha (1926-2026) | Texto de opinião de Manuel Seixas

“Meu bom Pai", assim comecei todas as raras cartas que foram encontradas, da correspondência com o meu progenitor - Francisco António de Almeida Pessanha, estudante de direito em Coimbra, vindo de Marmelos, uma pequena aldeia de Mirandela, onde o solar da família ainda hoje se sustém, sem miséria e sem luxo, na Casa D. Amélia Pessanha.

Francisco nasceu pelas geadas do Fevereiro transmontano de 1845, tão incógnito quanto eu, é dizer, sabe-se que o seu pai José Benedito e sua mãe Angélica só o registaram bem mais tarde, quando assentaram que também haveria de ser doutor em Coimbra.

"Peço-lhe que abençoe o seu filho do coração", assim terminei todas as mesmas cartas, tão cheias de distância e de amor, de um reconhecimento infinito. Afinal, ele me fez e me sustentou, me criou, educou, perfilhou, o que muitos não ousaram em condições semelhantes.

Em Coimbra passou por um distinto aluno e se formou, boémio quanto bastasse para regressar sempre aos lençóis onde me gerou, ao calor nervoso da sua governanta da aldeia que aceitou ser minha mãe, a Maria do Espírito Santo.

Conheceu tanto o país quanto as funções da magistratura. De Miranda do Douro aos Açores, foi para Mogadouro e fixou-se em Lamego. De procurador régio foi promovido a juíz e com isso regressou às Ilhas, tornou às Beiras, sempre a mudar e a progredir, até à Relação e ao Supremo, no Porto e em Lisboa.

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