
Época crítica de fogos na região vai contar com 775 operacionais
O Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra apresentou ontem o dispositivo de combate a incêndios rurais (DECIR 2026) para uma área que inclui zonas particularmente afetadas pelas tempestades de janeiro e fevereiro. A antecipação, sublinhou o comandante Carlos Luís Tavares, vai ser determinante para o sucesso de cada operação, «quanto mais cedo detetarmos e atuarmos, maior é a probabilidade de evitar incêndios de grande dimensão».
Nos 19 municípios da Região de Coimbra a área florestal ocupa entre 50 a 55% do território. O estado da floresta, atingida pelas intempéries com maior intensidade nos concelhos de Coimbra, Soure, Montemor-o-Velho, Miranda, Penela e Pampilhosa da Serra, «preocupa em termos de segurança», nomeadamente operacional, notou Carlos Tavares, ao explicar que estão já no terreno bombeiros em trabalhos de reconhecimento e de corte de árvores, ou limpeza de caminhos.
Na apresentação, Carlos Tavares, que esteve acompanhado pelo 2.º comandante Nuno Seixas Pereira, anunciou as melhorias introduzidas este ano para um dispositivo «mais robusto», desde a melhor capacidade operacional com as novas instalações do Comando Sub-Regional e o aumento de mais quatro máquinas de rasto em relação a 2025 (uma no município da Lousã, duas da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e outra dos Bombeiros de Soure). São agora 16 máquinas, equipamento que Carlos Tavares considera «fundamental em incêndios complexos», para abertura de faixas de contenção, consolidação do perímetro, apoio às manobras terrestres e aumento da segurança. Contribuem «ativamente para reduzirmos os reacendimentos», sustentou.
Entre outras informações, sobre, por exemplo, o sistema de rádios SIRESP, equipamentos de comunicação Starlink em cada município, ou um drone da CIM (para monitorização e apoio operacional), Carlos Tavares destacou ainda as 41 ações de formação especializada em incêndios rurais, para 46 elementos de comando, além de ações de treino operacional em operações aéreas, operações de socorro, apoio à decisão ou comunicações, entre outras.
Reforço de meios a partir do mês de julho
Atualmente na fase Bravo, o empenhamento operacional passa para o nível Charlie em todo o mês de junho, e é reforçado de 1 de julho a 30 de setembro, com a fase Delta, considerada a mais crítica.
Para a fase Delta, a Região de Coimbra vai contar com 175 equipas, 775 operacionais, 178 veículos e as 16 máquinas de rasto, precisou o comandante, ao considerar que o dispositivo é «robusto e multidisciplinar», mas, salvaguardou, «o sucesso operacional não depende da quantidade de meios» e sim da «coordenação, rapidez de decisão, disciplina operacional e segurança». «Queremos ter baixas zero», disse, ao lembrar que «primeiro está a vida», depois os bens e o património florestal.
De 1 de julho a 30 de setembro, os bombeiros, «a espinha dorsal do dispositivo», terão 514 elementos em permanência, com 121 veículos (Carlos Tavares apontou como uma das melhorias o veículo de Comando e Comunicações dos Bombeiros de Penacova, que irá acrescentar mais um meio nos teatros de operações).
Acresce a capacidade mobilizável de mais de 1.376 operacionais bombeiros. Também em permanência, no período diurno, estarão 204 sapadores florestais, e a empresa Afocelca disponibiliza 22 elementos.
A fase Delta na região de Coimbra conta ainda com 27 elementos da Unidade de Emergência e Proteção e Socorro da GNR e sete meios aéreos, entre os quais três helicópteros bombardeiros ligeiros (estacionados na Lousã, Cernache e Pampilhosa da Serra) e dois aviões bombardeiros médios (em Cernache). Os outros dois meios aéreos destinam-se a missões de avaliação e de reconhecimento.
Haverá ainda uma unidade de intervenção especializada de análise e uso de fogo.
O conceito operacional do dispositivo, explicado por Carlos Luís Tavares e Nuno Seixas Pereira, assenta em princípios «fundamentais», como a monitorização permanente, pré-posicionamento preventivo de meios, «despacho inicial e musculado de ataque inicial», unidade de comando e recuperação contínua da capacidade operacional.
Populações devem proteger-se e ter cuidados preventivos
Carlos Luís Tavares apelou à população para adotar comportamentos preventivos. «Há determinadas horas do dia em que ignições podem tornar-se grandes incêndios», porque «há variáveis que não dominamos, como a meteorologia», alertou. E «temos a prova disso: no ano passado foram dominados 247 incêndios e houve três que fugiram ao ataque inicial», tornaram-se «grandes incêndios com impacto severo nas pessoas», sustentou. Não utilizar rebarbadoras, máquinas com disco que possam originar faíscas ou cuidados ao colocarem gasolina nas motosserras foram alguns conselhos do comandante sub-regional da proteção civil, ao notar que há horas em que não podem mesmo ter este tipo de trabalhos.
«Apelo à segurança das pessoas, porque primeiro está a vida, depois os bens e depois o património florestal», disse.









