
"O que nós fizemos é verdadeiramente especial"
Diário de Coimbra | Subir de divisão estava nos planos no início da época?
António Barbosa | Nós sentíamos que era possível, com o conhecimento que tínhamos do campeonato, pelo clube que somos e pela história que tem. Mas também sentimos que era muito difícil pela força que os adversários tinham, pelas dificuldades que foi em construir o plantel e em arrancar na pré-época. Uma pré-época em que arrancámos com 13 ou 14 jogadores, as dificuldades que tivemos no mercado, tentámos vários jogadores, mas que não conseguimos. Conseguimos outros e, felizmente, que os conseguimos. Era um objetivo muito, muito desafiante, era possível, mas... precisávamos em algum momento de ter alguma (se não muita) sorte também pelo caminho, para que as coisas se alinhassem. E precisávamos obviamente de fazer o nosso trabalho com muito rigor, muita dedicação e muita vontade.
A estratégia do “jogo a jogo” foi uma forma de se defenderem ou internamente era a subida que queriam mesmo?
Foi desde a pré-época. Quando contratávamos os jogadores, nós dizíamos: “Nós queremos fazer isto. Não sabemos se o conseguimos, mas temos de ter consciência de onde estamos, de o clube onde estamos e a dimensão que tem. E, às vezes, temos de ter consciência que quando juntamos um conjunto de pessoas para fazer algo que é muito difícil de ser feito e que não depende de nós, temos de ter sentido de presença, responsabilidade diária que tivemos sempre, termos uma visão a longo prazo, mas muito concentrada na visão diária. Nós temos, como sabe, uma comunicação interna e uma comunicação externa e percebo que externamente fui sempre percecionado como alguém que provavelmente procurava ser muito protetor. A minha intenção era simplesmente dar foco aos nossos jogadores para as tarefas, para poder que as coisas acontecessem. Nós não tínhamos mais condições do que os outros, não tínhamos mais obrigações do que os outros, nem começámos mais cedo do que os outros, nem fixámos mais jogadores do que os outros. Tivemos uma capacidade muito grande de ultrapassar dificuldades. Por isso, não tínhamos nem obrigação, nem necessidade de dizer: “Nós vamos jogar para subir”. Porque não era algo que era muito provável de acontecer. Era algo que era possível e que nós acreditávamos, mas que daria muito trabalho.
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